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Lindsay Paulino - Janeiro 2015

  • Montes Claros / Belo Horizonte - Ator se prepara para Campanha de Popularização do Teatro - Higor Almeida

Sucesso no teatro e na internet, ator é conhecido por dar vida à personagem Rose, "a doméstica das bicha". Confira entrevista completa no Descubraminas!


"Minas Gerais é... Sentar num toco de árvore na porta de casa e ver a vida passar".


Por Roberta Almeida

Descubraminas - As regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais são conhecidas pelo rico valor cultural de seus habitantes. Natural de Montes Claros, você acredita que transmite esses valores em seus trabalhos como ator? Quando descobriu essa veia artística?

Lindsay Paulino -
Tanto acredito como faço questão que isso esteja em primeiro lugar no trabalho. A personagem Rose que faço no teatro é apenas um pretexto para que a história de Minas, especificamente Montes Claros, seja contada. Rose é o retrato ao vivo e a cores dessa mulher catrumana, carregada de significados, seja na maneira de falar ou de agir e é isso que encanta a plateia. Se fizermos uma análise técnica do espetáculo, não existe piada pronta, as pessoas riem pela maneira como a Rose conta e vive a história. Eu ouço a plateia falando baixinho: "Igualzinho minha mãe". "Nossa, minha tia é assim".

Claro que sou movido pelo riso, afinal faço uma comédia, mas é tão mais gostoso deixar que as pessoas vejam seus parentes ou conhecidos através da Rose, que o riso fica em segundo plano. Desde criança eu sempre gostei de cantar e interpretar. Fazia isso em casa e na escola até que minha avó me matriculou no conservatório de música de Montes Claros e de lá nunca mais parei.


DM - Embora pareça artístico, Lindsay Paulino é seu nome de batismo. Qual a origem desse nome?

LP -
Esse é meu nome de batismo. Meu pai assistiu a um documentário onde o primeiro homem a atravessar o Oceano Atlântico num barco se chamava Lindsay Weidy, ele era de origem americana.


DM - Você ficou famoso interpretando no teatro e na internet a personagem Rose, "a Doméstica das Bicha". Conte-nos mais sobre esse divertido personagem. A Rose do teatro é diferente da Rose da internet?

LP -
Sim, são bem diferentes. A Rose da internet é focada no público LGBT e produzimos hoje conteúdo para esse público. Claro que outras pessoas também se identificam, o que é muito legal. Na internet, a Rose é mais Pop, no sentido de fazer parte de uma cultura contemporânea, do videoclipe, das cantoras Pop internacionais, e desse imediatismo que a internet é. É como se a personagem não morresse nunca. Ela está ali pronta para falar sobre o assunto do momento ou para lançar a próxima paródia da Beyoncé, e os fãs cobram isso.

Já a Rose do teatro é desconhecida de quem a viu só pela internet. No teatro existe uma dramaturgia de início, meio e fim onde a plateia vai entender quem é essa mulher, porque ela foi parar na internet, porque ela fala daquele jeito, o que ela já passou na vida, qual é sua história. O espetáculo conta de um jeito bem norte-mineiro de ser a trajetória dessa mulher até ficar famosa e conhecida pelo grande público.


DM - Em uma paródia da música "Halo", da cantora norte-americana Beyoncé, Rose faz uma homenagem aos patrões homossexuais. Como você cria suas piadas sem atingir de forma negativa os homossexuais e as domésticas, mantendo um bom relacionamento com esses públicos?

LP -
Eu acho que as paródias não atingem de forma negativa nenhum dos públicos porque a Rose canta seu amor pelos patrões. Ela é eternamente grata por tudo que fizeram por ela. Às vezes, as letras dizem coisas que podem gerar algum incômodo num gay ou outro mais ativista, mas a maioria leva na brincadeira. Humor é isso. Quem é inteligente sabe que a intenção maior é fazer rir e rir de si mesmo, e não denegrir ou passar uma imagem errada sobre ninguém. Com certeza quem se sente ofendido tem uma vidinha muito sem graça e amarga.


DM - Ao utilizar a internet para apresentar seu trabalho, você conquistou um grande número de fãs. Como foi lidar com a fama repentina? Você já passou por alguma situação inusitada após ficar conhecido nacional e internacionalmente?

LP -
Eu lido super bem, apesar de ainda ficar me perguntando o porquê desse carinho todo. Procuro responder todas as mensagens que recebo pelas redes sociais. Nunca passei por nenhuma situação inusitada, o que acontece muito é de eu estar fazendo compras e os vendedores depois de me reconhecerem, começarem a gritar de alegria e pedir para tirar foto.


DM - Além dos palcos e da web, você também tem feito participações especiais em shows de celebridades. O que essas experiências representam para seu trabalho?

LP -
Representam trabalho como outro qualquer. Procuro não me vislumbrar com isso, nem criar expectativas. Já me sinto realizado. Faço um espetáculo com uma resposta super positiva de quem assiste, um espetáculo onde tudo passou por mim antes de ser executado, o texto é o meu, e faço exatamente o que eu gostaria de estar fazendo como ator. Estou muito feliz na minha profissão e o que vier é consequência de muito trabalho.


DM - O espetáculo "Rose a doméstica do Brasil" ficou em cartaz esse ano em Belo Horizonte e você já se prepara para a temporada 2015. Rose terá presença confirmada na 41ª Campanha de Popularização do Teatro? O que o público pode esperar?

LP -
Sim, estarei em cartaz de quinta-feira a domingo no Teatro Alterosa em janeiro e, em fevereiro, vou para o Teatro Dom Silvério. O público pode esperar um espetáculo colorido, cheio de música e a história dessa mulher norte-mineira que faz rir e chorar, ou até mesmo chorar de rir.


Papo de Mineiro

DM -
Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?
LP -
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DM - Aquela música que tem a alma de Minas?
LP -
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LP -
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LP -
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DM - Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?
LP -
Cachaça Salinas (rsrsrs, é sério!)

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LP
- São tantos...

DM - A paisagem que te inspira...
LP -
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DM - Atlético, Cruzeiro ou América?
LP -
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LP -
Com certeza, na roça.

DM - Quando estou fora morro de saudades de...
LP -
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LP -
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DM - Minas Gerais é...
LP -
Sentar num toco de árvore na porta de casa e ver a vida passar.


Estagiária: Júlia Savassi

 

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