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Marina Machado - Novembro 2014

  • Belo Horizonte - Cantora mineira Marina Machado - Bruno Magalhães

Em novembro, o Descubraminas conversa com a cantora Marina Machado. Natural de Belo Horizonte, a artista apresenta fortes características da cultura mineira em seu trabalho e vem conquistando corações mundo afora...

"Minas Gerais é onde gosto de viver!"


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Você nasceu em Belo Horizonte e desde pequena aprendeu a gostar das coisas de Minas. Como nossas belezas naturais e tradições culturais influenciam seu trabalho?

Marina Machado -
Eu acredito que tudo que faz parte da nossa vida nos influencia. O fato de eu ter visto e participado de festas do Candombe da Serra do Cipó desde cedo, fez com que mais tarde eu quisesse retratar isso nas minhas interpretações.

No condomínio onde morávamos também tivemos um ambiente propício para o desenvolvimento de habilidades para as artes. Tenho vários amigos de infância que também são artistas, inclusive meu irmão Eduardo Machado que é ator do grupo Armatrux.


DM - Ainda criança você foi apresentada ao meio artístico? Quando decidiu que iria ser cantora?

MM -
Eu não fui apresentada ao meio artístico propriamente... Minha mãe era amiga da Babaya, que passava dois dias da sua semana no meu prédio, pois vários moradores faziam aula de violão com ela, inclusive eu...

Então fui apresentada ao meio artístico mais tarde pela Babaya. Nunca me decidi pela música, ela que se decidiu por mim. Eu fui sendo convidada pra um projeto ali, outro acolá, fui topando e aqui estou eu, com 24 anos de carreira.


DM - Nos anos 1990, você participou de musicais, fez parte de um trio de rock, foi vocalista das bandas Jota Quest e Tianastácia, gravou uma trilha do Skank para a banda de bonecos do grupo Armatrux e montou espetáculos de palco e rua. Essa bagagem te incentivou a investir na carreira solo?

MM -
Minha carreira solo foi acontecendo aos poucos, mas não me sinto solo, eu tenho músicos como Alexandre Mourão e Lenis Rino que me acompanham há mais de dez anos; nós somos um grupo, pensamos em grupo, trabalhamos sempre juntos.

Eu gosto de trabalhar em comunhão, mas nem sempre os grupos duram a vida toda. A Companhia Burlantins durou quase quinze anos e foi legal, mas acabou. As bandas com as quais trabalhei não tinham muito a ver comigo, por isso, hoje, meu trabalho leva meu nome, mas ando sempre acompanhada.


DM - Com os pés na diversidade cultural de Israel, você idealizou o espetáculo multimídia "Desoriente um país", cantado em iídiche, hebraico e ladino, que acabou rendendo o CD "Hebraico". Qual foi o maior desafio desse projeto?

MM
-
Eu adoro cantar em outras línguas, tenho mais facilidade de decorar os sons que as letras, então cantar numa língua diferente como o hebraico e o iídiche, foi muito prazeroso pra mim. Mas são línguas complexas existem sons muito diferentes dos sons da nossa língua, então o desafio foi compreendê-los e depois conseguir emiti-los.


DM - De Minas para o mundo, em 1999, você representou o Brasil em um importante festival de Cuba. Pouco tempo depois, já estava dividindo os palcos internacionais com Milton Nascimento. Como foram essas experiências fora do País?

MM -
Eu sempre gostei de viajar. Tomei esse gosto quando fui nadadora do Olympico Club e do Minas Tênis Clube. Viajando nós conhecemos outras culturas, outros sotaques e outros costumes. Essa diversidade me encanta! Continuar fazendo isso através da musica é realmente um sonho pra mim. Esse sempre foi o meu sonho. Viajar o mundo!


DM - Junto a Milton Nascimento e Lô Borges, você apresentou a turnê "Baile das Pulgas". Qual a sensação de cantar ao lado de legítimos representantes do Clube da Esquina?

MM -
A música que o pessoal do Clube da Esquina faz realmente me emociona. Me dá a sensação de estar perto de casa, eu me sinto uma herdeira do Clube da Esquina. Para mim, cantar com eles é sempre uma emoção, uma honra. Eu chorei um rio inteiro na turnê que fiz com Milton Nascimento. Ele é maravilhoso!


DM - Em parceria com Samuel Rosa, você regravou em 2008 a música "Grilos", de Roberto e Erasmo Carlos. Inclusive, a canção fazia parte da trilha sonora da novela "Três Irmãs", da Rede Globo. Popularizar seu trabalho em rede nacional trouxe um diferencial para sua carreira?

MM -
Sim, mas nem tanto... Eu continuo sendo uma cantora regional, meu público cativo está em Belo Horizonte e Minas Gerais. Continuo sendo uma cantora desconhecida para a maioria do país e do mundo. No entanto, já conquistei alguns corações pelo mundo afora. Algumas pessoas reclamam: você tem que vir a São Paulo, a Fortaleza, Sul do país, Rio de Janeiro. Mas cantar em uma novela não resolve a vida de ninguém.

Hoje trabalho muito em Minas Gerais e de vez em quando tenho a oportunidade de ir em outros Estados, outros países. Para se dar bem na música é preciso ser também uma pessoa política, ter bons contatos, ser uma excelente gestora. Eu estou aprendendo muito sobre gestão, mas não tenho dom para isso, não é da minha personalidade.


DM - Você assinou a direção cênica do projeto "Elas de Minas". Em que consiste esse trabalho?

MM
-
Esse foi um edital de cantoras e compositoras mineiras. Inclusive, fizemos o show de lançamento do CD no último dia 11 de outubro. Uma delícia trabalhar e conhecer novos talentos da música feita em Minas. Eu e Déia Trancoso somos as mais velhas!!! Kkkk... Somos de outra geração. É sempre bom renovar!!!!


Papo de Mineiro

DM - Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?
MM -
Milton Nascimento.

DM - Aquela música que tem a alma de Minas?
MM -
"Fazenda", do Nelson Ângelo.

DM - Adoro um bom prato de...
MM -
Pequi

DM - Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?
MM -
Inhotim e Serra do Cipó.

DM - Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?
MM -
Uma boa cachaça, um pedaço de queijo e goiabada, uma roupa do Ronaldo Fraga.

DM - Qual cantor melhor representa Minas Gerais?
MM -
São tantos, escolher deixa todos os outros de fora. Maurício Tizumba e Titane.

DM - A paisagem que te inspira...
MM -
O mar de montanhas

DM - Atlético, Cruzeiro ou América?
MM -
Cruzeiro. Mas ando de mal com o futebol, acho que os jogadores estão sendo um péssimo exemplo para as crianças, muita violência, péssimo gosto artístico... Não ponho futebol para o meu filho assistir.

DM - Fim de semana na cidade grande ou na roça?
MM -
Todas as possibilidades me atraem, o importante é diversificar.

DM - Quando estou fora morro de saudades de...
MM -
Do Jorge (filho) e do Pedro (marido).

DM - O que nunca sai da moda em Minas?
MM -
Comer bem.

DM - Minas Gerais é...
MM -
Minas Gerais é onde gosto de viver.


Estagiária: Júlia Savassi

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