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Mauro Werkema - Junho 2014

  • Belo Horizonte - Mauro Werkema, presidente da Belotur, conversa com o Descubraminas.com - Roberta Almeida

Às vésperas da abertura da Copa do Mundo Fifa no Brasil, o Descubraminas conversa com Mauro Werkema, que nos fala sobre as ações promovidas para receber bem o turista em BH e preparação da capital para sediar os jogos do Mundial.


"Em Belo Horizonte, temos uma enorme rede de museus com padrão internacional, que os turistas não podem deixar de conhecer; o Circuito Cultural Praça da Liberdade e o Complexo Arquitetônico da Pampulha, que é um berço do modernismo, também são ótimos atrativos."



Por Roberta Almeida


Descubraminas - Desde que Belo Horizonte foi escolhida como uma das cidades-sede do Mundial 2014, a Belotur promove ações para receber bem o turista na capital. Quais foram os projetos que tiveram mais visibilidade?

Mauro Werkema -
Cabe à Belotur cuidar dos visitantes nos aspectos turísticos e culturais. Para isso, nós empreendemos em nossa missão de responsabilidade uma série imensa de ações. A primeira delas foi a reforma e modernização dos nossos oito CATs (Centros de Atendimento ao Turista), incluindo os centros do Aeroporto de Confins e Rodoviária com desenhos totalmente novos. Então esses centros de atendimento especializado com informação bilíngue, inglês e espanhol, acredito que são os primeiros pontos importantes que temos para "bem recebê-los".

Além disso, a Belotur implementou as sinalizações turísticas gerais da cidade, as placas de rua aumentaram muito em Belo Horizonte, nós já colocamos 253 placas de vários tipos. Na Pampulha, por exemplo, são 68 placas só do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer, placas de orientação, localização e explicação do que são os monumentos. É fundamental que os turistas que cheguem aqui tenham uma boa orientação e nós fazemos isso de acordo com a BHTrans e Ministério do Turismo. Terceiro, nós também trabalhamos com a folheteria turística, nosso guia turístico do mês de junho, por exemplo, teve uma tiragem de 60mil exemplares que vão vir com mapas, informações de hotelaria e gastronomia, entre outros serviços.

Nós também temos outros três programas de grande importância, que é o "BH Receptiva", o chamado "Turismo de Eventos e Negócios" e os roteiros turísticos que iremos lançar após a Copa. Belo Horizonte está recebendo de 22 a 26 novos hotéis, e é uma cidade que tem vocação para este tipo de turismo, mas é preciso dar sustentabilidade a isto. Além da capital, os roteiros contemplam também Ouro Preto, Mariana e Inhotim, destinos acoplados à BH. Ou seja, estamos aproveitando esta sinergia da Copa.


DM - Como o senhor citou, a Belotur lançou há pouco tempo o Programa BH Receptiva, que tem o objetivo de apresentar aos visitantes a infraestrutura, serviços e oferta turística de qualidade da capital. Já é possível constatar os resultados desse projeto?

MW -
O "BH Receptiva ou "BH Hospitaleira" é a identificação e remoção de possíveis dificuldades que os turistas ou eventos possam ter em Belo Horizonte. E esse é um programa permanente que vai levar alguns anos até BH se tornar um destino turístico efetivamente hospitaleiro e receptivo, pois esta é uma cadeia complexa e vasta que tem que ser integrada e bem ajustada, pois ninguém pode falhar nesse elo.

É claro que a simples convergência e consciência de que a cidade turística deve ser hospitaleira já é importante, mas isso envolve uma série de coisas. Com relação aos bares e restaurantes também estão ocorrendo muitas mudanças positivas, desde os mais caros até os mais simples. Estamos em uma época de muitas mudanças não somente em BH, mas em todo o mundo, e são tão grandes que muitas delas só conseguiremos perceber daqui a alguns anos.


DM - Em junho, também temos o tradicional Arraial de Belô. Será mantida essa programação?

MW -
Esse ano, o Arraial vai ser pós-Copa, de 17 a 27 de julho, pois não havia meio de fazer junto com a Copa, todos os nossos funcionários, esforços, patrocinadores, segurança estarão envolvidos com a Copa, que é uma operação gigantesca. Era de tal ordem que assim como reformatamos o carnaval, também queríamos reformatar o Arraial e transferi-lo para o Parque das Mangabeiras, mas acabou que ele permanecerá na Praça da Estação e ao invés de junina a festa será julina. Nosso principal atrativo desse evento são as quadrilhas e competições entre elas, mas dessa vez queremos investir mais nas barracas dentro do contexto junino ou julino.


DM - Para a Copa, o número de turistas que visitará Minas Gerais é o esperado?

MW -
As primeiras pesquisas, de acordo com a FIFA, relativas a números de ingressos comprados e hospedagem dizem que em torno de 130 mil estrangeiros e mais de 300 mil mineiros irão frequentar BH. Fora os 1600 jornalistas esportivos e 2600 jornalistas gerais. Tudo isso esperado para Belo Horizonte. A previsão é de 20 mil argentinos, 2.500 ingleses e muitos uruguaios, chilenos, italianos, alemães e holandeses. Esta quantidade é o que a FIFA e as embaixadas estão falando.

Também fomos demandados pelas embaixadas do Chile, Uruguai, Argentina e Holanda, para que BH tivesse camping, aí conseguimos três áreas específicas que vão receber delegações de "motorhome" e consequentemente vão precisar de orientações. Também estamos colocando no ar uma central de informações turísticas, um aplicativo móvel, mídias sociais, observatório do turismo. Além disso, a Belotur está integrando o centro de comando que fica na Cidade Administrativa com todos os órgãos que tomam conta da segurança e serviços públicos, para receber bem todos os turistas.

De certa forma já aguardávamos esses números, mas aumentou um pouco por conta das seleções que estarão sediadas aqui, e há a possibilidade de ter um ou dois jogos do Brasil, se isso acontecer, o pessoal vai vir todo para cá. Com esses novos hotéis, temos uma capacidade para preencher 32.700 leitos, fora a Grande BH. No jogo da Inglaterra, por exemplo, teremos 45 mil estrangeiros, inclusive o Príncipe Harry e a delegação que o acompanhará em vários eventos.


DM - A poucos dias da abertura da Copa do Mundo Fifa, o senhor acredita que BH está realmente preparada para receber os turistas?

MW
-
O planejamento está sendo feito há dois anos e já passamos por um grande teste que foi a Copa das Confederações. As manifestações foram muito inesperadas, o Brasil todo foi surpreendido com a sua grandiosidade, mas esse ano não será surpresa, primeiro porque já teremos experiência com isso e temos mesmo um super planejamento para as áreas de segurança, saúde, hospitais, roteiros e trajetos alternativos.

A parte do entorno está bem planejada, os novos viadutos, as centrais de imprensa dentro do Mineirão, a mobilidade urbana, a prevenção de acidentes e as tropas de Exército que estarão pelas ruas. Nossa sala de controle na Cidade Administrativa está capacitada para ficar ligada a tudo, inclusive ao andamento de possíveis manifestações.


DM - Quais são as ações previstas para depois do Mundial?

MW
-
Acho que nós aprendemos muito e devemos aprender mais, aproveitando essa experiência. Acho que BH tem que primeiramente consolidar-se como uma cidade capaz de ser um destino turístico para receber eventos de grande porte, que é a nossa vocação. Segundo, uma cidade cada vez mais internacionalizada. Nós nos filiamos agora à Organização Mundial de Turismo e estamos com esse programa de Turismo de Eventos e Negócios juntamente como todo nosso setor turístico.

Tem também um dado muito interessante de dois estudos de mercado que explicam porque as redes internacionais optaram por se instalar em Belo Horizonte. Todos dizem que a capital mineira, dentro de no máximo três ou quatro anos será efetivamente o segundo ou terceiro maior centro de eventos e negócios do Brasil. O aeroporto de Confins, que recebe 10,5 milhões de passageiros, está indo para 16 milhões quando estas obras acabarem. Há também um outro estudo dizendo que hoje o que interessa nem são os grandes eventos como a Copa ou Olimpíadas, hoje o forte são eventos de até 250 pessoas e são 80% no mercado. Alguns países até desistiram de entrar na disputa por grandes eventos.

Espero que essa Copa e todos os transtornos e gastos que vieram junto tenham colocado o setor turístico em posição de desenvolvimento, deslocamento e consciência. Outro grande desafio é manter esse fluxo de turistas vindo para cá, senão os hotéis terão que fechar. Tem um conceito interessante agora, chamado "Turismo de Cidade", quer dizer, é a cidade sendo um centro comercial de economia criativa, a cidade tem tantos atrativos que é preferível permanecer nela. Depois da Copa, devemos continuar investindo nessa mudança de comportamento para realmente continuar a receber bem os turistas.


DM - Para o turista que vem de fora, o que o senhor considera imperdível em Belo Horizonte e Minas Gerais?

MW
-
Em Belo Horizonte, temos uma enorme rede de museus com padrão internacional, que os turistas não podem deixar de conhecer; o Circuito Cultural Praça da Liberdade e o Complexo Arquitetônico da Pampulha, que é um berço do modernismo, também são ótimos atrativos. Ouro Preto é um patrimônio cultural da humanidade muito interessante, Inhotim, que atualmente tem quase que mais visibilidade que Belo Horizonte, merece atenção, além de experimentar a gastronomia mineira que já possui fama internacional.



Estagiária: Júlia Savassi

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