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Mário Henrique Caixa - Março 2014

  • Belo Horizonte / Três Pontas - Jornalista Mário Henrique Caixa - Arquivo Pessoal

Ainda em ritmo de Copa do Mundo, o Descubraminas bate um papo com o jornalista esportivo Mário Henrique Caixa. Ao portal, o também deputado estadual relembrou a vida em Três Pontas, primeiros passos como radialista, relacionamento com o torcedor mineiro e experiência na cobertura de Mundiais. Confira!


"Belo Horizonte é uma capital muito visitada. É uma cidade polo e conhecida mundialmente. Teremos, sem dúvida, uma visibilidade privilegiada. Aqui estarão grandes seleções e eu acho que Minas Gerais ganhará muito com isso."


Por Roberta Almeida


Descubraminas - Você é natural de Três Pontas, cidade que revelou artistas da música popular brasileira como Wagner Tiso e Milton Nascimento. Quais lembranças marcantes você carrega de sua cidade natal?

Mário Henrique Caixa - A lembrança mais marcante que guardo da minha terra natal é exatamente a de quando eu comecei no rádio, em 1988. Era um jogo do Trespontano Atlético Clube (TAC), da minha cidade, contra a equipe do Santo Antônio de Teófilo Otoni, que terminou com empate de 1 a 1. Foi a minha estreia no rádio.

Depois disso, fui para a Rádio Sentinela, ainda em Três Pontas, até ir para a Rádio Globo. Os primeiros passos, que garantiriam posteriormente a minha carreira na Rádio Itatiaia, serão sempre marcantes.


DM - No começo dos anos 1990, você se mudou para Belo Horizonte. Como foi trocar a vida no interior pela agitação da capital?

MHC
- Trocar a vida do interior pela agitação da capital foi muito interessante porque até então eu tinha viajado muito pouco para grandes cidades. Belo Horizonte e São Paulo eu já tinha ido uma vez, pois meu pai era motorista, mas uma coisa é você conhecer e outra bem diferente é morar.

Fiquei um pouco assustado no início, na verdade. Obviamente tinha uma vantagem muito grande de seguir minha carreira e conseguir, com muita força de vontade, permanecer na capital mineira, onde estou até hoje e que é uma cidade que amo muito.


DM - Narrador esportivo da Rádio Itatiaia desde 1993, seu famoso bordão antes de um gol é "Caixa", que, aliás, virou seu sobrenome. Conte-nos melhor como surgiu essa expressão.

MHC
- O bordão "Caixa", na realidade, não teve nada de muito ensaiado, não. Ele surgiu de uma hora para outra. Há alguns anos, eu estava numa roda de amigos, não me recordo exatamente quanto tempo atrás, quando disse que iria narrar um gol diferente e ao invés de gritar gol eu iria gritar "Caixa".

No começo, muita gente estranhou, achou que não fosse pegar bem, mas o bordão se tornou praticamente meu nome em Belo Horizonte, em Minas Gerais e já alcançou outras fronteiras no Brasil. Tem gente hoje que imita o Caixa em Belém do Pará, Salvador, Curitiba, por exemplo. Sou muito feliz por isso!


DM
- Em 2009, você passou a ser o narrador titular dos jogos do
Atlético Mineiro pela Itatiaia. Como é sua relação com os torcedores do Galo e das outras equipes de Minas?

MHC
- Minha relação com os torcedores do Atlético é excelente. Eu sempre fui atleticano, mas eu corria o risco de ser narrador do Cruzeiro também. Obviamente se o Alberto Rodrigues, por exemplo, viesse a se aposentar antes do Willy, o que acabou não acontecendo. Graças a Deus o Alberto está aí firme e forte e o nosso Willy Gonser, depois de muitas alegrias que nos deu, aposentou-se e eu tive a felicidade de assumir as narrações dos jogos do Atlético.

Sobre meu relacionamento com o torcedor mineiro, tiro muitas fotos diariamente com eles e em todos os lugares onde vou, como na rua, no shopping, até mesmo no próprio estádio. Sou bastante assediado pela torcida do galo. Isso é motivo de muita felicidade para mim. Também tenho muito o respeito da torcida do Cruzeiro. Costumo dizer que a minha alegria, como aconteceu no dia do último clássico, é ver um cruzeirense querendo conhecer e tirar uma foto com o Caixa. Essa relação é muito saudável.


DM - Nas narrações dos jogos do Atlético você transmite muita paixão pelo time mineiro. É possível controlar essa emoção ou isso faz parte da estratégia para contagiar os torcedores?

MHC
- Não há estratégias nas minhas narrações. Narrador é voz, velocidade e emoção. Eu sou narrador desde os 15 anos de idade e ao todo são 26 anos de profissão. Ninguém sobrevive no rádio ditando emoção. Ela vem de dentro para fora e você coloca na hora das transmissões. É com muito amor que faço o meu trabalho e minha emoção é realmente verdadeira.


DM - Você já transmitiu cinco Olimpíadas (Atlanta, Sidney, Atenas, Pequim e Londres) e três Copas do Mundo (França, Coreia/Japão e Alemanha). Como foi essa experiência na cobertura de Mundiais?

MHC
- Tenho boa experiência na cobertura de Mundiais. Já passei por cinco continentes e mais de 39 países, colecionando cinco coberturas de Olimpíadas (Atlanta em 1996, Sidney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012), três Jogos Pan Americanos (Canadá 1999, Santo Domingo 2003 e Rio de Janeiro 2007), três Copas do Mundo ((França 1998, Coreia/Japão 2002 e Alemanha 2006), além do Mundial de Clubes em Marrocos (2013).

A Copa realizada na Alemanha foi, sem dúvida, a melhor delas. Na França, fiquei em Paris, onde os cidadãos são acostumados com grandes eventos e a Copa aconteceu lá como se tivesse acontecendo um evento normal. Para nós, brasileiros do rádio, não é uma coisa normal. Coreia do Sul e Japão também foi muito interessante, pois fomos campeões, mas a distância dos estádios dificultou um pouco. Fiquei em Seul e fiz uma viagem ao interior da Coreia, cidade muito distante também.


DM - Já nos preparativos finais para sediar o Mundial, quais ações, presenciadas por você em outras Copas, poderão ser repetidas ou evitadas pelo Brasil?

MHC
- Bom, as manifestações são as preocupações grandes que nós temos na Copa do Mundo aqui no Brasil, tendo em vista que tivemos mortes, conflitos entre a população e a polícia... Então eu acho que temos que tomar muito cuidado. Acredito que a população estará um pouco mais envolvida com o Mundial, diferente do que aconteceu na Copa das Confederações.

Eu acho que a polícia brasileira está bem preparada para evitar maiores danos. A polícia tem que ser preventiva para evitar os conflitos e nunca agredir as pessoas que estarão nas ruas para protestar pacificamente. Com relação aos estádios, o Brasil tem os melhores, que está no nível de outros estádios que já sediaram a Copa. Então acredito que o nosso País fará um grande Mundial.


DM - Quais são suas expextativas em relação à visibilidade de Minas Gerais antes, durante e pós-evento?

MHC
- A visibilidade de Minas Gerais é marcada no mundo do futebol, nós tivemos recentemente a final da Libertadores, no Mineirão, em que o jogo foi transmitido para todo o mundo. Belo Horizonte é uma capital muito visitada. É uma cidade polo e conhecida mundialmente. Teremos, sem dúvida, uma visibilidade privilegiada. Aqui estarão grandes seleções e eu acho que Minas Gerais ganhará muito com isso.

Infelizmente, não tivemos o avanço do metrô, por exemplo, para a Copa do Mundo, que eu acho que no pós-Copa seria muito importante para nossa população, mas, enquanto político, vou continuar no "calcanhar" do governo federal para que o metrô de Belo Horizonte venha e possa dar uma condição melhor de mobilidade urbana para a população belo-horizontina.


DM - Em 2012, você assumiu o cargo de deputado estadual, foi nomeado membro da Comissão de Esportes e é vice-presidente da Comissão Extraordinária da Copa do Mundo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Enquanto deputado, como você enxerga a importância do esporte para a transformação social?

MHC
- Esporte para a transformação social é fundamental. Temos dados da própria Polícia Militar de Minas Gerais de que em localidades de baixa renda, onde a violência avança significativamente, quando se tem um evento esportivo, seja o futebol, Copa Itatiaia, por exemplo, o índice da criminalidade diminui, naquele período quando se desenvolve o esporte.

Nós sabemos que são nesses bairros e nas periferias onde a violência é mais acentuada e são justamente nesses locais, e nos campos de várzea, que temos atuado na tentativa de distribuir as Academias ao Ar Livre, chamadas "populares", para que os nossos jovens tenham mais acesso ao esporte, no intuito de combater as drogas.

Quando você pega os principais atletas olímpicos, os principais atletas do futebol, a grande maioria saiu da camada mais pobre da população, onde encontraram muitas dificuldades. Os jovens precisam de oportunidade, pois além de atletas e bons jogadores, estamos perdendo muitos cidadãos para as drogas.

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