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Nelinho - Fevereiro 2014

  • Belo Horizonte - Ex-jogador de futebol Nelinho  - Júlia Savassi

Conhecido pela potência e precisão do chute, o ex-jogador de futebol Manuel Resende de Matos Cabral, o Nelinho, é um mineiro de coração que há anos prestigia Minas Gerais. A poucos meses da Copa do Mundo Fifa no Brasil, Nelinho falou ao Descubraminas sobre sua experiência em mundiais, desafio de chutar uma bola para fora do Mineirão, expectativas para 2014 e curiosidades sobre suas trajetórias profissional e pessoal, construídas em solo mineiro.


"Não tenho a menor dúvida de que as campanhas do Cruzeiro e do Atlético serviram e vão continuar servindo para melhorar muito a imagem de Minas Gerais pelo Brasil e pelo mundo."


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Natural do Rio de Janeiro, você chegou a Minas Gerais nos anos 1970 para defender o Cruzeiro Esporte Clube. Como foi sua chegada à capital mineira?

Nelinho -
A vinda para Belo Horizonte foi uma surpresa muito grande para mim porque alguns meses antes eu havia praticamente parado de jogar futebol, não queria mais, foi quando um amigo meu do América me viu jogando pelada na rua e perguntou o que eu estava fazendo naquele momento. Eu disse que estava parado, ele respondeu que eu não ia ficar parado e me levou para o Bom Sucesso. Joguei a final do Campeonato Carioca e de lá o Remo me chamou para jogar a final do Campeonato Brasileiro, fiquei uns quatro meses em Belém do Pará, e lá joguei contra o Cruzeiro, que gostou de mim e me mandou apresentar em janeiro de 1973.

Cheguei no Cruzeiro, treinei e passei a titular. Em janeiro de 1974 eu já estava na Copa do Mundo. Então foi uma surpresa porque praticamente um ano antes, eu estava parando de jogar futebol e aí minha vida deu uma guinada. O Cruzeiro foi como uma salvação, uma verdadeira oportunidade, parei de fumar, o pouco que eu bebia parei também. A partir daí tudo deu certo. Nem a diferença cultural me atrapalhou. Eu era apaixonado por praia, assim como todo carioca, mas quando entendi que aquela era a minha grande chance, me esqueci de tudo. Claro que no início qualquer folguinha que eu tinha, pegava o avião e voltava para o Rio. Depois foi diminuindo, até que me casei, e pronto! Fiquei sossegado aqui.


DM - E quando você chegou à equipe celeste, quais eram suas expectativas? Você achava que realmente iria dar certo?

NC -
Eu acreditei que daria certo sim, pois quando joguei contra o Cruzeiro joguei muito bem, por isso os dirigentes estavam com uma grande empolgação em relação à minha contratação e isso me contagiou. Senti que eles estavam acreditando em mim. Naquela época, tinha um lateral direito, Pedro Paulo, que era titular há muito tempo e tinha muito carisma com a torcida, era ídolo mesmo, além de outros vários jogadores. Aí eu vim, me cuidei, sabia que ia ser difícil, mas tinha convicção que iria jogar como titular.

E eu também estava vindo de equipes menores e inferiores, o que torna tudo mais difícil já que a ajuda dos companheiros é mais limitada. Antes eu jogava com jogadores bons, no Cruzeiro, eu passei a jogar com caras excelentes. Então é diferente jogar do lado de craques como Zé Carlos, Piazza, Palinha, Joãozinho ou Raul. Eu coloquei na minha cabeça: "Essa é a minha chance e eu não vou deixar escapar". E não deixei. Tudo correu bem, dei a sorte de cair em um timaço e isso me facilitou muito. Quando comecei a fazer gols de falta também comecei a ganhar espaço e ser considerado "um deles" e não "mais um" no time. Isso foi muito importante porque começaram a confiar em mim.

No início, por exemplo, o Piazza reclamava que eu dava apoio demais, mas não voltava para marcar, ele que tinha que marcar para mim, (isso acontecia porque o Pedro Paulo era um jogador mais marcador e por isso, Piazza podia ficar mais no meio do campo, não tinha que sair na lateral, ou seja, foi uma grande mudança para ele). Só que aí os treinadores da época enxergaram que meu potencial ofensivo era muito grande e que eu não podia ficar limitado lá atrás só marcando, portanto, o Piazza realmente tinha que sair para me cobrir. Ele entendeu isso, reconheceu e modificou a maneira de jogar em benefício do clube. Logo no primeiro ano todo mundo já estava enturmado e foi ótimo!


DM - Nos anos 1974 e 1978, você disputou as Copas do Mundo da Alemanha e da Argentina pela Seleção Brasileira. Como foram essas experiências?

NC -
Para mim foi uma experiência muito grande, principalmente a primeira Copa, que era algo que eu não esperava, afinal, eu era reserva do Remo em 1972 e aí praticamente um ano e três meses depois já estava na Seleção Brasileira disputando um Mundial, com a sorte de estrear jogando a primeira fase toda, já que o José Maria havia se machucado. Lembro que o primeiro jogo foi contra a Iugoslávia e na abertura do evento tinha uma cerimônia. Quando estávamos perfilados escutando o hino nacional brasileiro, foi algo indescritível, eu imaginava a Olaria, meu bairro no Rio de Janeiro, e meus amigos todos de infância me vendo na televisão e aí comecei a chorar e ficar preocupado se eu daria conta até de jogar.

No futebol muita coisa acontece antes do juiz apitar, você sente mil coisas, mas na hora que ele apita a grande maioria dos jogadores esquece absolutamente tudo e vai jogar. Então, com cinco minutos de jogo eu já estava relaxado e foi uma experiência fantástica ver vários países reunidos em uma só competição, torcedores do mundo inteiro, ver toda aquela movimentação nos estádios, isso é maravilhoso! Justifica o sonho de todo jogador de querer participar de uma Copa do Mundo. Não é só jogar na Seleção porque aí pode ser para participar de amistosos, agora jogar na Copa do Mundo é diferente. O principal da carreira de um jogador deve ser participar da Copa, não tem jeito.


DM - Além do Cruzeiro, você também defendeu o Atlético Mineiro e acabou fazendo história nessas equipes. Qual é sua relação com os maiores times de Minas Gerais?

NC -
A minha relação atual com os dois dirigentes desses clubes é maravilhosa. O Elias Kalil, pai do Alexandre Kalil, foi quem me contratou quando fui jogar no Atlético. E na diretoria do Cruzeiro passei a conhecer o presidente, que também me trata super bem. Por isso, a minha dificuldade hoje é explicar ao torcedor que gosto dos dois times, ninguém acredita! Daí eu tenho que falar que sou carioca, que meu time de infância é o Vasco da Gama - time que defendi quando me tornei profissional. Como moro em BH e tudo que tenho devo a esses dois clubes, gosto dos dois, torço pelos dois, não existe diferença. E quando um joga contra o outro fico isento, só observo.

Às vezes, tem uns que nem me perguntam, já afirmam: "Ah, você é cruzeirense ou você é atleticano", e eu digo: "Não. Sou os dois!". E quando um pai me apresenta para uma criança? Mais difícil ainda porque como é que explica para uma criança que torço pelos dois times? Mas minha resposta é sempre a mesma porque é a verdade. É mais uma relação de gratidão pelas duas equipes.


DM - Em 1979, você foi desafiado a chutar uma bola para fora do Mineirão, foram mais de 35 metros de altura. Conte-nos melhor sobre esse feito.

NC -
Foi o seguinte, depois da Copa do Mundo de 78 eu fiz uma excursão com o Cruzeiro e ainda no Mundial, em um exercício exagerado que fiz, tive um problema na coluna e nessa viagem com o Cruzeiro senti mais dores e fiquei sem jogar. Só sei que tentaram me curar de todas as maneiras até eu ter que realmente realizar uma cirurgia na coluna. Após essa operação, cheguei na Toca da Raposa e declarei aos jornalistas, até em certo tom de brincadeira, que quando eu me recuperasse iria chutar uma bola para fora do Mineirão, para que nunca mais se referissem a essa minha contusão, visto que a imprensa e até mesmo alguns torcedores têm a mania de falar que o jogador está podre quando se machuca. Ou seja, eles ficam relacionando tudo que você tem com a contusão que foi mais divulgada.

Então eu tinha esse receio de falarem: "Ah, o Nelinho não jogou bem porque está bichado, deve ser por aquele problema na coluna". Aí eu me recuperei, voltei a treinar e a jogar e quis mostrar que não tinha mais nada. Em um belo dia de calor, numa sexta-feira, saí do treino umas 10h30, eu tinha acabado de tomar banho e o pessoal da Globo chegou e falou: "Nelinho, você lembra quando disse que ia chutar a bola para fora do Mineirão? Pois é, o Fantástico está precisando desta matéria e então eu gostaria que você fosse lá tentar". Eu disse: "Agora?". O repórter disse que sim.

Fui trocar de roupa e segui para o Mineirão. Consegui chutar depois de várias tentativas sendo que a primeira já faltou pouco, bateu no refletor. Mas tem uma coisa que eu sempre digo, e não é por falsa humildade, aquilo é uma coisa que não é difícil, principalmente para um goleiro que pega a bola com a mão e chuta, é fácil. Hoje é mais difícil já que o campo foi rebaixado e a cobertura também aumentou. Mas na época acho que se outros jogadores tentassem também conseguiriam, como foi algo inusitado, acabou que isso ficou marcado na minha carreira e as pessoas comentam bastante.


DM -
Após deixar os gramados, você fez parte da diretoria da Associação de Garantia ao Atleta Profissional (Agape), foi deputado constituinte, atuou como comentarista esportivo na TV Alterosa, Rede Globo e Sport TV, foi presidente da Ademg por 4 anos e atualmente é empresário. Depois da carreira de jogador, houve algum momento em que você teve a sensação parecida com a de marcar um gol?

NC -
Houve sim. Em termos de família, o nascimento das minhas três filhas e meu casamento foram muito importantes. A minha vida em família é muito boa, eu consegui conservar até hoje aquela rotina de almoçar em casa todos os dias, minhas filhas moram comigo, construí dois apartamentos no fundo da minha casa, então as duas casadas moram neles e a solteira mora comigo. Se tem uma coisa que sempre me envaidece e me deixa muito feliz é essa relação que tenho com minha família, que considero e sempre digo para os meus amigos que é a coisa mais importante de nossas vidas.

Então foram sensações maravilhosas, além de outras pequenas coisas que fazem parte do dia a dia e muitas vezes nós não sabemos valorizar corretamente. Às vezes, dar agrado ou ajudar nos faz sentir melhor até do que a própria pessoa que foi ajudada. Eu sinto que isso faz bem para mim. E tem também a relação com a academia que montei juntamente com minha mulher, em 1984, e agora em março completaremos 30 anos funcionando, mesmo com toda a concorrência violenta, isso é algo que me mantém satisfeito, ver que a empresa continua indo bem. Quando parei com esse negócio do futebol, acredito que soube administrar bem minha vida, pois não é fácil, inclusive eu ainda sonho que estou jogando, fazendo gol e muitas outras coisas.

Parei de jogar em 1987, 27 anos atrás, e até hoje sonho com isso. Mas eu sei que soube realmente administrar, até porque parei querendo parar, eu não fui parado, achei que já estava na hora e parei, tendo a família bem constituída, estruturada, harmonizada e isso foi muito bom para mim. Uma coisa complicada é quando o jogador para com muito dinheiro (não foi meu caso) e não tem uma vida familiar estruturada. Eles acabam se perdendo e aí não adianta nada todo o dinheiro que guardaram.


DM -
Ano passado, Atlético e Cruzeiro estiveram em evidência com os títulos da Libertadores e Campeonato Brasileiro. De que modo essas conquistas disseminam a cultura mineira pelo mundo?

NC -
O que acontece é meio subjetivo, a gente às vezes não consegue perceber, mas o principal é que a partir do momento que as duas equipes apresentam uma campanha satisfatória, como aconteceu, isso passa a chamar atenção do torcedor brasileiro e da imprensa. A partir disso, os dois times estando bem, passam a ser divulgados no Continente todo e fora dele; agora mesmo o Atlético esteve no Marrocos e o mundo inteiro assistiu a isso e, com certeza, houve a curiosidade de conhecer o time de Ronaldinho Gaúcho, descobrir que o time é de Minas Gerais e a partir daí procurar saber e pesquisar o que é o Estado de Minas e o que temos aqui.

Antigamente, as pessoas achavam que a capital do Brasil era Buenos Aires e que aqui só tinha café e futebol. Então depois desses dois últimos anos, o nome do País e do Estado passou a ser mais divulgado e hoje em dia temos, inclusive, outros meios de fazê-lo. Não tenho a menor dúvida de que as campanhas do Cruzeiro e do Atlético serviram e vão continuar servindo para melhorar muito a imagem de Minas Gerais pelo Brasil e pelo mundo.


DM -
Como o futebol mineiro está em alta, você vê a possibilidade de algum jogador que atua em Minas Gerais ser convocado pelo Felipão?

NC -
Bom, o que tem mais chance é o Jô, que foi convocado e disputou bem a Copa das Confederações. Acho que Ronaldinho Gaúcho teve oportunidade, mas não atuou tão bem porque ele continua sendo um grande jogador e essencial ao Atlético, mas a maneira como hoje atua, para uma Seleção Brasileira acredito que teria dificuldades. Na Seleção, é exigido dos jogadores que eles corram e marquem muito, e o Ronaldinho está em uma posição mais cômoda, pois os próprios colegas já entenderam que ele é importante jogando da maneira dele. Então fica mais difícil colocar numa Seleção um jogador com essa característica.

Todo mundo deve estar em forma, é difícil jogar uma Copa do Mundo e fica meio complicado se dar ao luxo de jogar com menos um na parte defensiva e na parte ofensiva também. No entanto, o sucesso das duas equipes mineiras está justamente no conjunto, não nos valores individuais. Se for levada em consideração essa parte individual, que em alguns momentos até fizeram a diferença, acho que vai o Ronaldinho Gaúcho representando o Atlético, e, do Cruzeiro, o Everton Ribeiro, que tem feito jogadas maravilhosas que decidiram partidas. Mas tem que se levar em conta a interação da equipe, que se completa e, assim, tem-se um time forte e são escolhidos os jogadores que sobressaíram em equipe e que fazem a diferença.


DM -
Esse ano, o Brasil sediará a Copa do Mundo Fifa. De que maneira o fato do Mundial ser disputado aqui influenciará no desempenho dos jogadores, tanto profissional quanto emocionalmente? Você acredita que o fator casa fará diferença na competição?

NC -
 O profissional e o emocional são questões que variam muito, pois da mesma maneira que diante da sua torcida você tem aquele incentivo a mais e pode usar disso para produzir um pouco mais, no momento em que o torcedor se cansa de incentivar porque nada acontece dentro de campo, a situação inverte e todo mundo começa a vaiar, quer dizer, o jogador que não tem estrutura e já não está bem piora, pois não consegue assimilar as vaias. São poucos que diante das vaias de seu torcedor ficam incomodados com isso e crescem. A maioria realmente se sente mal, alguns ficam desestruturados, mas isso só acontece a partir do momento que passado grande parte do jogo o torcedor percebe que o time não está rendendo.

Temos um exemplo muito claro disso, o da Copa do Mundo de 1950, quando o Brasil perdeu para o Uruguai. O Brasil era favorito, começou ganhando o jogo, quase 200 mil pessoas no Maracanã incentivando, estava 1 a 1, tudo indo bem. Quando fez 2 a 1, a uns 30 minutos do segundo tempo, esperava-se que o torcedor brasileiro ficasse de pé e incentivando para o Brasil ir lá e empatar, mas como foi um golpe tão grande para os torcedores, que não esperavam nunca aquilo, eles emudeceram e aquilo passou para dentro do campo, os jogadores viram essa apatia do torcedor e não conseguiram fazer mais nada, pararam de jogar e perderam uma Copa do Mundo. Acho importante que o jogador saiba usar o apoio da torcida e entrar com tudo.

Às vezes você não tá jogando bem, mas se estiver se esforçando, o torcedor reconhece e aplaude. Se isso acontecer, com certeza o Brasil leva vantagem de jogar diante de sua torcida contra qualquer outra Seleção. Foi o que aconteceu na Copa das Confederações, no último jogo contra a Espanha, quem esperava que o Brasil fosse ganhar de 3 a 0 da Espanha? Isso aconteceu com certeza com a ajuda da torcida e essa ajuda só vem mediante o que é feito dentro de campo, o torcedor aplaude sem você ter feito nada é antes do jogo, mas a partir daí, se você não tiver bem, isso acaba. O torcedor é reflexo do que o jogador é dentro de campo. Então o fator casa, pode ser um diferencial favorável ou desfavorável, depende de como isso será aproveitado.


DM -
Muitos apreciam o gol que você fez contra a Itália, na decisão do terceiro lugar na Copa da Argentina, em 1978, como um dos mais bonitos da sua carreira. Mas, em sua opinião, qual foi seu gol mais marcante?

NC -
Esse gol contra a Itália foi mesmo muito bonito e importante, por isso que de vez em quando, até os dias de hoje, ele passa na televisão e está também entre os mais bonitos eleitos pela FIFA. Acho que esta grande repercussão se deve ao fato de ter sido marcado em uma Copa do Mundo porque, na verdade, eu também já marquei esse gol em jogos no interior de Minas e do Brasil, representando o Cruzeiro e o Atlético, a diferença é que muitas vezes esses acontecimentos não eram televisionados, somente quem estava no estádio viu.

Eu me recordo que após essa Copa nós fomos jogar um torneio na Itália, em Turim, e eu estava machucado, fomos fazer um treinamento no campo do Torino (rival do Juventus, é como se fosse Cruzeiro e Atlético aqui) e quando nós chegamos para treinar, havia uns cem torcedores gritando meu nome, quando saí do ônibus eles me carregaram, não me deixaram nem encostar o pé no chão, me levaram para dentro do campo. Eu não estava entendendo nada, aí perguntei para o meu empresário: "Eu estou com essa moral toda aqui por quê?" E ele me respondeu: "Você fez o gol no Dino Zoff, que é goleiro do Juventus, então você passou a ser ídolo deles também". Essa é a grande importância de se fazer um gol na Copa do Mundo, então, para mim, esses são os gols mais marcantes.


DM -
A quatro meses da Copa, qual principal desafio a capital mineira irá enfrentar para receber esse grande evento?

NC -
Tratar bem os turistas. E tratar bem significa muitas coisas, como saber se comunicar, porque é importante falar inglês, sem contar que o português é complicado. A locomoção também precisa ser boa, precisamos de placas e sinalização em português e inglês. E eu não estou vendo muito este movimento, mesmo sabendo que os caras não vão ficar aqui por muito tempo, no máximo três dias cada delegação, mas isso não justifica o descuido com esses fatores, até porque eles vão passar por outras cidades brasileiras, então é importante chegar aqui e ver a estrutura que temos a oferecer. Imagine eles saírem daqui e comentarem que passaram dificuldades como os hotéis, sinalização, aeroportos, bagagens, atrasos, tudo isso vai ser notado e comparado.

Em termos de aeroportos, em Belo Horizonte, nós estamos a pé, é ridículo! Quando fazemos viagens para fora do Brasil e voltamos dá vontade de chorar. Outro fator importante é a segurança nas ruas, se os bandidos decidirem perturbar, acabou! A nossa polícia infelizmente não consegue dar o suporte suficiente, são poucos policiais para muitos marginais. Ou então igual nós tivemos agora esses movimentos, se acontecerem novamente será outro desastre porque não há como impedir, como aconteceu na Copa das Confederações.

Espero que tenhamos uma trégua e um evento tranquilo, para que nossos turistas saiam daqui com uma boa impressão. Dia desses, ouvi uma notícia falando dos movimentos no Egito, esse fato sem dúvida diminuiu muito o turismo na região. Só que lá, a insegurança é causada por outros fatores, as pessoas reivindicam por motivos diferentes. Aqui a insegurança é por matar, roubar, estuprar, sequestrar, é tudo muito complicado. Se eu tivesse que sair do meu País para ir para um em que acontece esse tipo de coisa, eu teria muito medo de viajar. Então temos que prestar atenção nesses detalhes.


Estagiária: Júlia Savassi

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