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Leda Nagle - Maio 2013

  • Juiz de Fora - Leda Nagle - Ana Paula Oliveira Migliari

Responsável por conduzir, há 17 anos, um dos programas mais conceituados da televisão brasileira, a jornalista e escritora Leda Nagle falou ao Descubraminas sobre sua trajetória profissional. Com diversos trabalhos na bagagem, advindos dos mais de 30 anos de carreira, Leda ainda cultiva seu jeito mineiro de ser e nos mostrou que gosta mesmo é de um bom bate-papo.


"Mineiro leva Minas no jeito, no gesto e no coração, mesmo quando parte de Minas, quando ganha o Brasil e às vezes o mundo".


Por Roberta Almeida


Descubraminas - Você é natural de Juiz de Fora e passou sua infância e adolescência nessa cidade mineira. Conte-nos quais são suas melhores lembranças de Minas Gerais.

Leda Nagle - Grandes amizades que duram até hoje, toda a minha formação, a minha própria história de vida começou e se fundamentou em Juiz de Fora, palco das minhas primeiras fortes emoções.


DM - Depois de cursar Comunicação Social na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), você decidiu respirar outros ares no Rio de Janeiro, qual foi o peso dessa escolha na sua vida e como foi trocar o jeitinho mineiro pelo ritmo dos cariocas?

LN - Eu precisava ampliar minha carreira, minha vocação e meu ofício, por isto saí de Juiz de Fora, mas não troquei nada. Apenas somei novas descobertas e novas experiências.


DM - Após passar por vários meios de comunicação, em 1996, você começou a comandar o Sem Censura, da TV Brasil, um programa que forma opiniões e presta serviços à sociedade, aborda temas variados e relevantes, além de trazer convidados de diversas áreas com diferentes olhares sobre o mesmo tema. Qual é a importância desse projeto para você?

LN - Eu gosto muito de fazer o programa por ele mesmo, pela diversidade de assuntos, pela possibilidade de aprender e compartilhar e porque acredito que a informação é uma moeda fundamental à vida, ao crescimento e à cidadania.


DM - Em 2011, você recebeu o "Troféu Mulher Imprensa de Contribuição ao Jornalismo". O que representa essa premiação para sua vida pessoal e profissional?

LN
- Adorei. Quem não gosta de receber um prêmio? É muito bom ter o trabalho reconhecido. Fiquei muito feliz com o prêmio, que veio fortalecer minha escolha profissional.


DM - No livro "Com certeza: Leda Nagle, melhores momentos", que possui entrevistas feitas ao longo de sua carreira televisiva, qual foi o critério para selecionar apenas 30 bate-papos para publicação impressa?

LN - Como estava festejando trinta anos de carreira, escolhi 30 entrevistados dentre os que mais me prestigiaram ao longo destes anos, indo várias vezes aos programas que fiz em várias emissoras de televisão. E, claro, escolhi com o coração.


DM - Já em "De Minas para o Mundo - Levando Minas no gesto e no coração" são listadas entrevistas com mineiros que ganharam o mundo com seu talento. Você consegue identificar neste trabalho o jeitinho mineiro de ser dos entrevistados? Para você, como é levar Minas por onde anda?

LN
- Neste livro eu escolhi mineiros que se identificam com Minas Gerais desde sempre. Eu queria mostrar, e acho que mostrei, que mineiro leva Minas no jeito, no gesto e no coração, mesmo quando parte de Minas, quando ganha o Brasil e às vezes o mundo.


DM - Sabemos que a entrevista com Carlos Drummond de Andrade foi um momento marcante para você e também para a televisão brasileira. Como foi ficar frente a frente com um dos maiores poetas brasileiros?

LN - Claro que foi uma emoção enorme. Sempre gostei e estudei a poesia de Drummond e estar frente a frente com ele, calmamente, conversando mineiramente, foi muito especial. Eu era muito jovem naquela época e fiquei muito honrada com a confiança dele, e da filha, Maria Julieta.


DM - Hoje, os acontecimentos sociais e midiáticos estão diretamente relacionados com o novo modelo de comunicação imposto pelas Redes Sociais. Como você avalia esse novo processo de interação, divulgação e dinamização dos meios?

LN - Eu vejo as redes sociais como um avanço nas comunicações. Hoje todo mundo tem chance de expressar seus sentimentos, emoções e opiniões. Gosto disto. Claro que há gente que usa isto para o mal, mas acho que no geral é super positivo.


DM - Como jornalista e escritora, qual mensagem você deixaria para os internautas que desejam seguir a carreira de jornalista, mesmo com a discussão sempre em voga da obrigatoriedade ou não do diploma para o exercício da profissão?

LN - Acredite no seu sonho. Eu acreditei no meu. Claro que trabalhei e trabalho muito, que luto pelo que quero todo dia, toda hora, ventania em qualquer direção, mas acho que está valendo, gosto do que faço, tenho prazer em ser jornalista. O mesmo prazer que eu sonhava ter, menina ainda, em Juiz de Fora, quando escolhi este ofício. Vá em frente!



Papo de Mineiro


DM
- Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?
LN - Nós todos que levamos Minas no jeito, no gesto e no coração. A escritora Rachel Jardim definiu muito bem: "Não se é mineiro impunemente nem se recupera nunca de se ter sido."


DM
- Aquela música que tem a alma de Minas?
LN
- As de Milton Nascimento, as músicas de Lô Borges.


DM
- Adoro um bom prato de...
LN
- Adoro picadinho com farofa e banana... Mas a coisa mais mineira que amo acho que é a taioba.


DM
- Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?
LN
- Um olhar atento para as montanhas de Minas Gerais, para o céu de Minas. São únicos.


DM
- Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?
LN
- Os doces e os queijos de Minas.


DM
- Qual escritor melhor representa Minas?
LN
-
Carlos Drummond de Andrade


DM
- A paisagem que te inspira...
LN
- A combinação das montanhas com
o mar.


DM
- Atlético, Cruzeiro ou América?
LN
- Galo, claro. Aprendi a ser atleticana convicta lendo e conhecendo Roberto Drummond.


DM
- Fim de semana na cidade grande ou na roça?
LN
- Cidade grande porque a roça fica longe demais para um fim de semana.


DM
- Quando estou fora morro de saudades de...
LN
- Do meu filho. Estou sempre com saudade dele, mesmo quando acabei de estar com ele há quinze minutos.


DM
- Minas Gerais é...
LN
- Minha terra, meu porto, o começo de mim.

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