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Antonio Anastasia - Dezembro 2012

  • Belo Horizonte - Governador Antonio Anastasia  - Omar Freire

Em dezembro, o Descubraminas traz a você uma agradável entrevista com Antonio Anastasia, governador de Minas Gerais. Anastasia nos contou sobre sua trajetória de vida enquanto mineiro engajado nas questões sociais, educacionais e políticas sem perder a mineiridade. Confira!


"Minas Gerais é reconhecida em todo o Brasil e em parte do mundo pela hospitalidade de seu povo".



Por Roberta Almeida


Descubraminas - O senhor é natural de Belo Horizonte. Conte-nos um pouco sobre sua infância e adolescência na capital.
Antonio Anastasia
- A maior parte da minha infância e adolescência eu passei morando em um prédio no Anchieta, na época em que era um bairro ainda pouco habitado. Era um dos primeiros prédios do bairro, que foi construído pelo meu avô, um prédio quase familiar, onde viviam vários primos e tios. Minhas tias cozinhavam muito bem, sempre gostei muito das festas italianas que fazíamos. A família era muito grande. Meu avô tinha onze filhos e para mim foi muito bom crescer nesse ambiente. A minha infância então se desenvolveu como a de qualquer criança comum. Gostava de estudar, ler sempre foi um hobby que tive. Lembro-me ainda de alguns fins de semana em que aproveitava para ir com meu pai ao estádio assistir aos jogos do Atlético Mineiro, o meu time do coração desde a infância.


DM - De que forma a descendência italiana, aliada à sua mineiridade, influenciou no seu modo de ser e pensar?
AA - Meu avô era italiano e tinha uma loja de eletrodoméstico muito tradicional e meu pai trabalhava com ele. Meu pai não fez curso superior, mas era uma pessoa muito curiosa e passou isso para mim. Ele colecionava enciclopédias, muitos livros. Eu me lembro que meu pai comprou uma luneta e, como o prédio que a gente morava era alto para a época e não tinha muitos outros ao redor, dali a gente via o céu e as estrelas. E ele ia me contanto as histórias. A convivência com a família sempre foi muito proveitosa. A maior herança que recebi dos meus pais, tanto do meu pai, de origem italiana, quanto da minha mãe, que vinha do Sul de Minas, foi o apreço e a disposição para o trabalho. Acredito que essa minha história faz parte daquilo que sou e penso hoje, principalmente por essa formação que me foi dada em casa.


DM - O senhor ganhou o Prêmio "Barão do Rio Branco" de melhor aluno da turma de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais e, aos 22 anos, já ministrava aulas de pós-graduação na Fundação João Pinheiro. Qual foi o diferencial de sua trajetória acadêmica que garantiu esse prêmio e projetou outras conquistas?
AA - Desde pequeno, por influência dos meus pais e até por uma vocação natural, eu sempre gostei muito de ler. A primeira coleção que li foi de Monteiro Lobato e ali eu fui criando meu universo da literatura. Na adolescência, uma tia minha tinha uma coleção da Agatha Christie e li tudo. Gostava das histórias, do mistério, tinha muita curiosidade com isso tudo. Já na juventude comecei a me interessar pelos grandes clássicos e pelas biografias, pelas histórias das grandes guerras. A faculdade foi uma continuação de tudo isso. Sempre fui muito aplicado nos estudos e acho que isso colaborou bastante para a minha formação.


DM - Como surgiu a oportunidade de se dedicar à política? O senhor imaginava que um dia governaria o nosso Estado?
AA - Como sempre gostei muito de História e lia muito, eu queria entrar para o mundo da administração. Queria ser diplomata. Eu me preparei para ser diplomata, uma carreira que acho muito bonita. Queria correr o mundo representando o Brasil. A política internacional sempre me interessou muito. Nunca passou pela minha cabeça ser governador do Estado. Na universidade, veio o grande interesse pelo Direito Administrativo e, a partir daí, segui a minha carreira na administração pública. Comecei a me dedicar e colocar meu trabalho à disposição do serviço público. Não me considero um político tradicional, apesar de ter servido ao Estado pelos últimos 25 anos. Mas me considero um político deste século 21, uma pessoa preparada para enfrentar os desafios, para conhecer as políticas públicas, para ouvir, discutir com muita humildade o que é melhor em cada área e em cada setor. Acho que isso é o mais relevante.


DM - Quais recomendações o senhor faz para o avanço da educação profissional em Minas, tendo em vista a sua atuação como professor?
AA - O ensino profissional é muito importante para o desenvolvimento das pessoas. Ela possibilita um crescimento pessoal e profissional muito grande, a partir do momento em que oferece aos jovens uma formação técnica e bastante prática para responder às demandas das empresas, da indústria e da área de serviços que tanto cresce no Brasil e, principalmente, em Minas Gerais. Sabendo disso, criamos o PEP - o Programa de Educação Profissional - em parceria com diversas instituições para garantir aos jovens uma formação de qualidade, que responda às demandas por mão de obra qualificada. A criação de empregos de qualidade é o principal foco do meu governo. E, para isso, o avanço da educação profissional é, de fato, fundamental.


DM - Minas Gerais possui intensa vida cultural, com grandes shows musicais, espetáculos de teatro e de dança, festivais de cinema e gastronomia. Fora dos compromissos oficiais, o senhor encontra espaço na agenda para acompanhar as atividades culturais de nosso Estado? Quais são suas preferências?
AA - A agenda de governador é sempre muito corrida e apertada e eu acabo aproveitando muito menos do que gostaria dessa intensa vida cultural mineira. Mas, na medida do possível, gosto de ir ao cinema, assistir aos espetáculos de teatro e frequentar os restaurantes. Este ano, tive a oportunidade de ir mais uma vez ao Festival de Tiradentes que já se tornou o maior evento gastronômico do Brasil. Aliás, é bom lembrar que Minas, pela sua tradição e culinária, foi escolhida para representar o Brasil no Madrid Fusión, o maior evento gastronômico do mundo. Aliado a isso, temos feito intensos esforços para atrair grandes eventos para nosso Estado. A Fundação Clóvis Salgado encenou, em outubro, por exemplo, a Viúva Alegre, a opereta mais encenada no mundo, que foi aplaudidíssima. Este ano ainda, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, também mantida pelo Governo do Estado, fez a sua primeira turnê internacional, sendo reconhecida pela crítica, a despeito de sua pouca idade, como uma das melhores orquestras do Brasil.


DM - O Descubraminas é um portal especialmente voltado à promoção do turismo de Minas Gerais. São 10 anos de dedicação. Qual sua percepção sobre o portal e sua relevância na propagação do turismo no Estado?
AA - O Descubraminas é uma grande iniciativa do Senac e deve ser aplaudido por todos nós, uma vez que ajuda na propagação e na divulgação do turismo no nosso Estado. Nós, mineiros, somos muito ciosos da nossa cultura e da nossa tradição, somos reconhecidos pela nossa hospitalidade e o Descubraminas ajuda a divulgar essas nossas riquezas. Minas detém 60% do patrimônio histórico nacional, é o Estado com maior número de museus e obras de artes do Brasil. Temos muito o que mostrar de nossa cultura, tradição, culinária, belezas naturais e o Descubraminas, como o próprio nome diz, ajuda a mostrarmos e a divulgarmos para todo o mundo essas nossas riquezas, atraindo mais turistas e propagando as qualidades do nosso Estado, das nossas cidades e do nosso povo.


DM - Em entrevista ao Descubraminas, o cantor Paulinho Pedra Azul afirmou que Minas Gerais é o canto que nos acolhe. Com a proximidade das festas natalinas, que mensagem o senhor deixaria aos mineiros acolhidos pelos cantos das Gerais?
AA - Como eu disse, Minas Gerais é reconhecida em todo o Brasil e em parte do mundo pela hospitalidade de seu povo. Todos quantos queiram visitar nosso Estado terão oportunidade de aproveitar de um local riquíssimo de recursos naturais e de belezas inigualáveis, mas, mais do que isso, poderá conhecer um povo hospitaleiro, amável e acolhedor, que é o povo mineiro. Neste final de ano, aos mineiros da terra, aos mineiros de coração e aos que visitam Minas, desejo boas festas, com um Natal de paz, ao redor dos seus familiares e amigos queridos. Aqui, continuaremos trabalhando para que 2013 seja um ano ainda melhor, buscar cada vez mais e com mais afinco cumprir os objetivos para proporcionar a todos os mineiros, de todas as regiões do Estado, mais qualidade de vida e mais e mais felicidades.




Estagiários:
Laís Andrade e Matheus Ventura

 

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