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Amilcar Martins - Junho 2009

  • Professor Amilcar Martins - Ednardo Max

Entre livros de memórias, literatura, culinária, entre outros, o diretor do ICAM, o Instituto Cultural Amilcar Martins, revela porque é tão importante manter viva a história de Minas Gerais.


Por Brenda Lara


Descubraminas: Como surgiu a idéia de criar um instituto cultural para salvaguardar o patrimônio documental mineiro?
Amilcar Martins:
Logo quando comecei a estudar história, comecei a formar esse acervo de livros sobre a história de Minas. Eram obras comuns sobre história de Minas e fui comprando e fui me interessando por isso e já tinha clareza que como pesquisador eu queria estudar a história de Minas e quando cheguei a 5 mil obras estava na hora de tornar o acervo público. Foi quando criamos o instituto que tem esse nome em homenagem ao meu pai, que foi pesquisador na Universidade Federal de Minas Gerais durante a vida inteira. Foi criado em 2001 e teve sede mesmo em 2003, no edifício Acaiaca.


Essa biblioteca é a minha paixão. Depois da minha mulher e do meu filho, é a biblioteca (risos). A origem do Instituto surgiu em função do acervo que eu tinha e que foi doado para o Instituto. No dia que esses livros saíram da minha casa, eu chorei feito menino. Era um pedaço de mim que estava indo embora. Realmente, esse negócio da biblioteca não é exagero do pai da criança não, é absolutamente espetacular. Em termos de tamanho, é o maior acervo do país sobre Minas Gerais com concentração em história porque minha formação é história, fiz mestrado em ciência política e fiz doutorado em história.


É possível que na Biblioteca Nacional, que tem um acervo de 10 milhões de volumes, e tem muita coisa lá sobre Minas Gerais, mas como esse foco específico e com essa concentração, com a preocupação permanente de atualização de livros, o Instituto é o maior do país. Eu vou a todos lançamentos de livros, eu tenho contato com as livrarias, com as editoras para cercar as coisas que saem sobre Minas. Então eu ando para trás e para frente, eu estou procurando coisas antigas, raras, livros fora do mercado que só consigo comprar em sebos e procuro livros que são publicados atualmente.


Hoje o acervo do Instituto tem 10 mil obras, entre livros, opúsculos e periódicos. Eu estou publicando um catálogo com os livros todos listados e quem quiser contar, conte e vai ver que tem 10 mil mesmo. O acervo é formado por várias coleções. Por exemplo, sobre culinária mineira deve ter uns 40 a 50 títulos. Infelizmente não tenho muitos livros antigos sobre culinária mineira. Sobre literatura temos todos os grandes autores mineiros. Tem algumas obras muito raras, por exemplo, a primeira edição do Cláudio Manoel da Costa, o livro conhecido como Orbas (Obras) porque teve um erro de impressão, tem também a obra Vila Rica do mesmo autor, que é um livro raríssimo e famosíssimo.


E temos os autores contemporâneos de literatura moderna, Carlos Drumond de Andrade, Pedro Nava, Henriqueta Lisboa, Autram Dourado, Emílio Moura, Eduardo Frieiro, há muitos livros desses autores que estão autografados. Uma outra coleção que nós temos no Instituto, são os livros dos Viajantes, que são as primeiras edições dos viajantes que estiveram em Minas Gerais no século XIX. Evidentemente, não temos de todos viajantes. Cerca dos 100 viajantes estrangeiros que passaram por Minas Gerais, eu devo ter umas 40 edições desses estrangeiros. Mas são as primeiras edições, as originais. Por exemplo, o Jonh Mawe, o primeiro viajante que veio a Minas, ele chegou aqui em 1809, era um período que havia uma preocupação enorme da coroa portuguesa de não dar acesso às pessoas em geral e sobretudo estrangeiros à região de mineração.


Então Mawe teve uma licença especial da coroa portuguesa, ele foi no distrito de Diamantes que era a região mais protegida e que a coroa tinha mais ciúmes. Ele veio em 1809 e ele publicou o livro em 1812 em Londres. Nós temos a primeira edição do John Mawe. E temos Sant Ileer, a primeira edição de toda obra dele sobre Minas Gerais, Richard Borton, Aga Siris, Garder, enfim. Nós temos as primeiras edições dos 40 autores viajantes e isso é muito raro e difícil para reunir um acervo desse tipo. Nós temos uma quantidade importante de livros publicados no século XVIII sobre Minas Gerais. Temos também livros de Memórias, de Histórias Municipais, Periódicos literários, de variedades, álbuns, corografias, é muita coisa. Eu falo com um enorme entusiasmo porque eu tenho noção exata da qualidade e importância dessa coleção.


Entre as coleções da biblioteca, a que eu mais gosto é a dos livros de memórias, são mais ou menos mil livros, as pessoas falam que eu minto muito, que eu sou muito exagerado, dizem que qualquer 500 eu arredondo para 1000, não é verdade, eu juro e provo (risos). São livros desde os famosos Pedro Nava, Helena Morlei, Ducílio dos Anjos, esses todos eu tenho autografados e vários outros autores. Tem também os livros escritos por pessoas comuns, anônimas, de pessoas que simplesmente escreveram em edições de 50 exemplares feitos para a família.


Muitos escrevem no prefácio para deixar para meus filhos, meus netos a história de nossa família. E o tipo de raridade desse acervo não se compra em livraria e isso não circula em lugar nenhum é edição do autor e muitas vezes essas edições são modestas, muito pobres do ponto de vista gráfico, de qualidade editorial, mas que são preciosíssimas como fonte de informação. É uma visão muito particular, e em geral, esse tipo de livro de memória descreve muito a vida na cidade do interior, a infância da pessoa, os hábitos, os costumes, as festas da semana santa, natal, carnaval, enfim. É muito divertido porque tem coisas do arco da velha. Tem muito livro escrito por fazendeiras, médico, funcionário público, dona de casa, professora, de todo tipo de gente. Essa é uma coleção que eu curto muito.


Quase todos os livros eu comprei pessoalmente, evidentemente a gente recebe livros de doações, são de pessoas que sabem das coleções e enviam os livros. Temos um tipo de coleção de obras raras de livros que são os autografados pelos autores mineiros de diferentes gerações. Temos Fernando Sabino, Pedro Nava, Drumond, Murilo Rubião, entre outros. A idéia da biblioteca é isso, se eu tenho 10 mil, preciso de mais 10 mil, é uma coisa por definição que não tem fim. Sempre você acha obras inusitadas e eu confiro em tudo: livraria, catálogo de leilão, porque quando você menos espera, você acha um tesouro.


DM: Qual é o assunto mais procurado pelos pesquisadores no Instituto Cultural Amílcar Martins?
AM:
Como objeto específico de gente comum, fora a comunidade acadêmica, o que prevalece é a procura por genealogia. Tanto é que tive que aumentar o acervo que tem muita demanda por esse assunto. É um acervo difícil de reunir, eu tenho um cento e poucos livros sobre genealogia. As pessoas têm muita curiosidade, a gente recebe muitos e-mail's de pessoas de famílias mineiras que estão morando na França, nos EUA, etc, que querem saber informações sobre suas origens.


Tem muita gente que tem interesse em fazer pesquisa sobre genealogia e têm muitos estudantes de pós graduação, mestrado, doutorado, eventualmente alguns professores que procuram assuntos específicos. Tem também muitos curiosos que se interessam, que tem curiosidade pela história de Minas e que passam o dia inteiro no Instituto. E isso eu acho legal porque é melhor do que ficar de pijama em casa. (risos)


DM: O povo mineiro se interessa pela própria história?
AM:
Eu acho que sim. De uma maneira geral, as pessoas cultivam esse sentimento em relação à terra natal, elas têm muito apego, um sentimento muito forte em relação a isso, é a impressão que tenho. Não sei se somos só nós, mineiros, que temos isso, mas certamente aqui, isso acontece. Há alguns estereótipos sobre mineiridade, mineirice, mineirismo que alguns são verdadeiros e algumas coisas são lendas, do folclore, que não faz muito sentido.


Mas nós temos hábitos muitos específicos, tradições muito claras de folclore. Essa questão das cidades históricas, nós temos uma tradição forte de arte, desde a barroca, desde as cidades do período da mineração. Mas eu gostaria de insistir na idéia de que Minas Gerais é muito mais que isso. Eu me recuso a ter essa visão passadista, de que Minas é o passado, de que Minas é só uma terra de tradições e um povo conservador, isso tem um pouco de verdade mas acho que hoje Minas Gerais tem uma forte tradição de arte, de literatura, de artes plásticas da melhor qualidade.


O que nós temos forte de tradição também, que eu cultivo muito, é a culinária que eu adoro, eu acho que ninguém come melhor do que nós no Brasil inteiro. Enfim, eu acho que existem algumas verdades e outras que são folclore, que são estereótipos que não tem muito a ver. De qualquer maneira, nós temos uma presença muito diferenciada, muito marcada. A maneira de falar, uma certa compostura, um certo cuidado de não ir entrando em qualquer lugar.


Um pouco dessa coisa do pão durismo, do conservadorismo exacerbado, que o mineiro é muito desconfiado, pouco empreendedor que eu acho que são certos exageros. Por outro lado, Minas, tem uma diversidade cultural muito grande. Minas é do tamanho da França. Quando eu estava defendo minha tese de doutorado nos EUA e na minha banca tinha um professor que era especialista em história da Europa e eu tinha feito uma área de concentração da Europa, por isso que ele era convidado da banca. Ele me perguntou assim ‘Mas não é uma coisa muito específica essa coisa de história regional que você está estudando, é só um estado, isso não é pouco?' eu disse para ele ‘Eu poderia te dizer que Minas Gerais é do tamanho da França, mas para vocês americanos, eu acho que a comparação que você vai preferir é dizer que Minas Gerais é maior do que o Texas'.


Porque os americanos acham que o Texas é a maior coisa do mundo, que o Texas é enorme, o gigantismo do Texas. E Minas é maior do que o Texas e é do tamanho da França. Então nós estamos falando de um estado que tem um tamanho de um país e tem uma enorme diversidade porque a formação histórica de Minas Gerais não tem fronteiras naturais, ela foi uma coisa imposta pelo colonizador, pelo império português de acordo com as conveniências da coroa portuguesa na época. Então, nós temos a diversidade de Minas. O sul de Minas e o triângulo mineiro é muito ligado a São Paulo, a zona da mata ao Rio de Janeiro, já o norte de Minas tem muita identidade com a Bahia, e assim por diante, só essa nossa zona região metalúrgica e o oeste de minas que têm características mais específicas.


A riqueza de Minas é também a sua diversidade. Você tem vários tipos de sotaque, de tradição, e eu acho que isso faz parte do nosso patrimônio, da nossa riqueza. Minas é um objeto de estudo legítimo que merece ser estudado.


DM: Quais motivos o levam a difundir a cultura mineira?
AM:
Primeiro lugar porque sou mineiro, sou de família mineira de várias gerações de mineiros e sou apaixonado pela história de Minas. Eu sou professor de história e trabalho com a história de Minas, a minha tese de mestrado e de doutorado é sobre a história de Minas. Não tenho uma produção acadêmica muito grande porque eu fiquei muitos anos fora da universidade, mas até hoje o que eu escrevi foi sobre a história de Minas.


Eu tenho um envolvimento e interesse grande com o tema. Eu posso dizer sem demagogia que eu tenho uma grande paixão pelo estado, pelas coisas de Minas. Eu gosto de artesanato mineiro, da comida mineira, enfim, eu gosto de ser mineiro, eu acho que é fundamentalmente por isso. É um bom motivo.


DM: O ICAM possui alguns conselheiros ligados à política, como Eduardo Azeredo e Roberto Brant. Qual a relação do instituto com a política?
AM:
Os conselheiros são uma combinação de acadêmicos, empresários e políticos. Nós temos o Eduardo Azeredo que é senador e o Robert Brant que foi deputado. Mas temos também vários empresários como José Eduardo Pereira que é diretor da Fiat, tem o Rinaldo que era presidente da Usiminas, Jonas Barcelos que é dono e presidente da Brasif. E tem uma turma grande de acadêmicos como José Moreira Carvalho que é da Academia Brasileira de Letras, a Carla Anastásia que é professora do departamento de história da UFMG. Enfim, a composição do conselho, é uma mistura de representantes de diferentes áreas e a idéia foi essa: a de fazer uma combinação que procurasse ser representativa do conjunto da sociedade.


DM: Como foi ser professor universitário durante o período da ditadura militar?
AM:
Foi uma experiência muito difícil. Tão difícil que eu fui preso quando ainda era estudante secundarista do colégio estadual. Fui levado a julgamento no tribunal militar e depois já fazendo o meu mestrado, eu fui preso de novo. Eu era ligado ao partidão (PCB - Partido Comunista Brasileiro) e aí deu zebra (risos) e eu peguei cana (fui preso) com uma pena maior. Isso me gerou alguns contratempos.


Quando fui fazer meu doutorado no exterior tive muita dificuldade em conseguir meu passaporte e sair do país para estudar. Eu fui julgado aqui, mas faltava o recurso da justiça militar contra minha absolvição, então tecnicamente eu não podia sair do Brasil. Mesmo assim, consegui o passaporte a duras penas e quando estava no Galeão com a milha mulher, eles me prenderam de novo quando eu já estava embarcando no avião.


Ele disseram ‘Ela vai, você fica'. Foi uma dificuldade para conseguir embarcar, porque eu tinha conseguido o passaporte legitimamente mas eles não tinham dado baixa no meu nome no sistema. Eu era proibido de sair do país. Foi uma luta. Mas eu tenho muito orgulho de ter participado da luta de resistência para redemocratização do Brasil. Isso foi uma coisa importante não só minha, da minha geração. Muitos amigos, companheiros que participaram disso, alguns morreram e outros tiveram seqüelas graves, ficaram exilados, foram torturados.


Eu tomei umas porradas. Você está com um capuz enfiado na cabeça e toma soco de tudo quanto é lado, isso é tortura. É um susto danado, é muito ruim. Nessa época, o movimento estudantil cumpriu um papel importante no processo de redemocratização do país porque você tinha o movimento operário que estava dizimado, controlado. Havia uma repressão muito forte, o congresso muito limitado, então acho que coube parte a igreja, parte os estudantes de sustentar essa bandeira.


Sem querer exagerar, o movimento estudantil teve um papel importante sim, de ir para a rua, de levar porrada, de ser preso. Foi uma coisa muito grave e séria que aconteceu nesse período, mas eu acho que não deve ter nenhum tipo de retaliação, de vingança, nada disso. Mas eu acho também que nós não devemos esquecer para que história não se repita.


DM: O livro "Como escrever a história da sua cidade" é um manual para elaboração de estudos de micro história. Conhecendo bem a história da sua cidade, Belo Horizonte, como você a descreveria?
AM:
Belo Horizonte é uma cidade que tem uma formação especial porque é uma cidade planejada. Foi uma região que foi escolhida para ser a nova capital de Minas. Então a formação da cidade é dada por pessoas de diferentes origens que vieram morar aqui e construir a cidade. Belo Horizonte, em um sentido muito verdadeiro, é a síntese de Minas Gerais.


E até hoje é muito incomum pessoas da minha idade, por exemplo, ter os pais nascidos em Belo Horizonte. Até hoje é uma cidade sobretudo de pessoas do interior. Ou o pai ou a mãe é do interior, ou os dois são do interior. Eu tive esse privilégio, os meus pais nasceram em Belo Horizonte o que é muito incomum. Eu tenho já na minha família, uma quinta geração de belorizontinos, poucas pessoas podem dizer isso. Então, eu tenho uma identificação com a cidade muito forte, já morei em São Paulo, no exterior, mas todas minhas referências giram em torno da cidade. Estou aqui para ficar, para morrer aqui.


DM: Você pretende escrever uma obra que conte a história de Belo Horizonte?
AM:
Não. Nunca pensei nisso. Pode ser que eu faça junto ao Instituto alguns cursos de história para público não especializado. Já existe uma demanda na cidade por esse tipo de atividade cultural. Oferecer cursos de história para um público leigo que tenha interesse nisso, um curso de história da escravidão, de Minas Gerais e já recebi a sugestão para fazer cursos de história de Belo Horizonte porque tem muito pouco. Eu posso escrever uma obra, alguma coisa, mas de caráter mais didático ou parecido com isso, mas nunca pensei em escrever uma história de Belo Horizonte.


DM: Em breve, você vai lançar o livro "O Segredo de Minas - A origem do estilo mineiro de fazer política 1889-1930" sobre política mineira. O que esse livro vai apresentar?
AM:
Esse livro é minha tese de doutorado defendida na universidade de Illinois nos EUA e agora foi traduzida e revista. Quase 30 anos depois eu estou publicando o livro. Eu mudei para os EUA em 1977 e comecei a trabalhar nesse projeto, nessa época eu já tinha clareza que ia trabalhar sobre isso.


Esse livro é o seguinte: Minas Gerais, durante a primeira república, teve uma participação muito importante na vida política brasileira. Saíram três presidentes da república nascidos em Minas, cinco vice presidentes, o maior número de ministros sobretudo dos ministérios mais importantes eram de Minas assim como controle das comissões mais importantes do congresso.


Enfim, Minas Gerais e São Paulo tiveram um papel hegemônico e absolutamente central na vida política brasileira durante a primeira república. Minas era o segundo maior produtor de café no Brasil depois de São Paulo. Mas o que é interessante é que a ascensão política de Minas ocorre em um momento de crise do setor cafeeiro no final do século XIX. E é nesse momento de dificuldade econômica é que Minas se torna um ator político importante no cenário federal.


Nos 10 primeiros anos da república, Minas não teve nenhuma importância. Tivemos um período de governo militar, depois três presidentes paulistas - Prudente de Morais, Campos Sales e Rodrigues Alves - e depois Afonso Pena. A importância de Minas na primeira república começa na virada do século. É a partir de 1900 que Minas indica o Silviano Brandão para ser candidato a vice presidente, Silviano Brandão morre e Afonso Pena é indicado, e ele acaba virando presidente da república.


A oligarquia mineira era muito desunida, Minas tinha a maior bancada de representação no congresso. A constituição de 1891 estabeleceu algumas coisas que favoreceram muito os grandes estados. Em primeiro lugar, a representação proporcional à população, Minas tinha de longe a maior população do Brasil e tinha uma bancada de 37 deputados e 3 senadores no congresso, ou seja, 40 representantes do estado. A segunda bancada, que era a de São Paulo e da Bahia tinham 22.


Minas tinha tudo para ter uma presença muito forte na política. Mas na primeira década, a oligarquia não se entendia. Para se ter idéia, quando Afonso Pena foi eleito governador de Minas, em 1892, com menos de 3 anos de república, ele foi o 12º governador do período republicano. Ou seja, em menos de 3 anos, Minas teve 12 governadores. A situação era crítica. Foi fundamental que a oligarquia se entendesse que a elite política conseguisse ter uma pacificação interna. Então Minas se alia a São Paulo na política do café com leite, eu estudo esse processo interno de reorganização da oligarquia mineira e porque que Minas foi capaz de ser um ator político importante no cenário federal em um momento de dificuldade econômica, de crise do setor cafeeiro.


Eu já tinha estudado parte disso na minha tese de mestrado, que é sobre a aliança de Minas com São Paulo, que chama a Economia política do café com leite e aí na tese de doutorado eu retomo esse tema, mas estudando especificamente a questão interna da oligarquia, os mecanismos usados pela elite política mineira para viabilizar o acesso ao governo federal.


DM: Indique aos nossos internautas obras clássicas da historiografia mineira.
AM:
Hum, isso é difícil demais. Tem muitos. Vou indicar um de cada tipo. Se eu ficar citando muitos autores estrangeiros vão pensar que eu sou chato demais. Mas tem um livro muito importante do Kenneth Maxwell que chama na versão para o português A Devassa da Devassa que é sobre a inconfidência mineira. Sobre os livros dos viajantes, temos Richard Burton, Saint Hilaire, são clássicos sobre a história de Minas.


De obra mais recente temos o livro A política econômica do governo provincial mineiro do professor Francisco Iglésias. Temos livros gerais de história de Minas, tem o Diogo de Vasconcelos que tem história antiga e média de Minas Gerais, tem livros de síntese sobre a história de Minas de autores como João Camilo de Oliveira Torres, Valdemar de Almeida Barbosa. Sobre a primeira república tem o livro do Rodolfo Jacob Minas Gerais no 20º século, entre outros.

 

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