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Cristino Necto - Julho 2007

  • Belo Horizonte - Gerente regional de feiras permanentes Cristino Necto - Divanildo Marques

A feira que surgiu na Praça da Liberdade em 1969, trouxe para Belo Horizonte um espaço cultural, comercial, turístico e gastronômico divididos por 16 setores. Durante todos os domingos, da Rua da Bahia à Guajajaras, a Av. Afonso Pena se transforma em ponto de encontro de várias gerações. O Gerente Regional de Feiras Permanentes, Cristino Sebastião de Oliveira Necto, fala sobre a riqueza e diversidade dos trabalhos expostos, o interesse dos turistas e a importância do projeto de reestruturação da feira.


Por Juliana Linhares


Portal Descubraminas - Quantos feirantes são atualmente e quantos empregos diretos e indiretos são gerados com esta iniciativa?
Cristino Necto -
Hoje a feira tem 2.404 expositores e uma media de 5 a 6 pessoas trabalhando para cada expositor durante a semana na confecção dos produtos. Empregos também são gerados através da montagem das barracas e do transporte de mercadorias dentro da feira, realizado por carregadores autônomos. Estima - se aproximadamente uns 10 a 12 mil empregos diretos e indiretos gerados pela confecção e exposição dos produtos oferecidos na feira.


PD - Quanto a feira movimenta em termos econômicos na capital?
CN -
A administração pública ainda não tem uma estimativa da circulação na feira em termo de recursos financeiros, mas a própria associação da feira já realizou alguns levantamentos e entrevistas apontando um público flutuante de aproximadamente 60.000 pessoas, podendo chegar a 120.000 pessoas em épocas festivas o que movimenta cerca de 1 milhão de reais por domingo.


PD - Hoje a feira apresenta, além de produtos artesanais, também industrializados. Qual o critério que vocês utilizam para a escolha dos expositores?
CN -
A maioria dos expositores que estão hoje na feira são oriundos da Praça da Liberdade e de outras feiras que funcionavam no centro da cidade de Belo Horizonte e que vieram para Avenida Afonso Pena em 1991. Quando a feira veio para Afonso Pena, o artesanato encontrado na "Feira Hippie" da Praça da liberdade veio agregado com mercadorias de terceiros.


A feira foi nomeada "Feira de Arte, Artesanato e produtores de Variedades da Av. Afonso Pena" e foi dividida em 16 setores: Mobiliário; Flores e Arranjos; Cestaria; Decoração e Utilidades; Cama, Mesa e Banho; Tapeçaria; Vestuário; Vestuário Infantil; Criança; Bijuteria; Arranjos e Complementos; Cintos,Bolsas e Acessórios; Artes Plásticas, Pintura, Esculturas e alimentação. Desde então a Administração Municipal adotou como um dos critérios de escolha dos expositores as características artesanais nos produtos. Frequentemente é realizado vistorias nos locais de produção dos feirantes e projetos de conscientização dos artistas, para que seja realizado sempre um trabalho de arte e artesanato.


PD - Há uma prioridade por trabalhos mineiros?
CN -
A feira existente na Praça da liberdade em 1969, trouxe para Belo Horizonte pessoas de outros estados. Para a Administração Municipal é inviável trazer pessoas de outros estados e manter vistorias nos locais de produção, mas como os próprios feirantes são responsáveis pelo deslocamento, não colocamos nenhuma objeção. Porém as próximas licitações oferecidas estão restringidas a BH e regiões metropolitanas, para evitar que tenha mais produtos industrializados e facilitar a verificação da habilidade artesanal dos expositores.


PD - O ingresso na feira é feito por meio de licitação e pode ser transferido para os familiares aptos, caso o titular venha a falecer ou se torne inválido. Essas condições tornam a rotatividade e posterior oportunidade de outros artesãos e artistas escassa. Como vocês administram essa situação, para que todos possam também mostrar seus trabalhos?
CN -
Em caso de invalidez, falecimento ou licença médica, o feirante pode pedir uma transferência de titularidade para seus familiares (conjugue ou companheiro, filhos e irmão). Mas para estar apto à transferência , o candidato deve comprovar sua habilidade como artista.


Hoje estamos em um processo de reestruturação, com o objetivo de melhorar e adequar o espaço da feira para uma quantidade de expositores que seja satisfatório para os visitantes e mais confortável para o expositor. Hoje a feira tem quantidade, e quando você tem quantidade acaba perdendo um pouco a característica de qualidade.No projeto de reestruturação da feira vamos primar pela qualidade.


PD - Qual o valor pago para ocupar o espaço no logradouro público?
CN -
O valor é R$ 24,43. É uma taxa praticamente irrisória que denominamos Taxa de Utilização do Espaço Público. O dinheiro recolhido e revestido para a manutenção de fiscalização, limpeza, trabalho da administração municipal e demais gastos com a feira.


PD - A feira não é só comércio, turismo e gastronomia. Também é cultura e educação. Há o desenvolvimento de algum projeto social que fomente essas duas vertentes?
CN -
Estamos sempre em busca de parcerias para realização de projetos. Em alguns projetos, realizamos parcerias com o Ministério do Turismo, Secretaria de Cultura, Belotur e Senac. A feira tem um espaço cultural que fica na Av. Álvares Cabral com Av. Afonso Pena onde há uma praça de alimentação. Existe também 24 barracas destinadas às entidades cadastradas junto a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que desenvolvem projetos de produção inspirados na concepção do "Programa de Economia Popular Solidária".


PD - Há uma procura crescente por exportações e visitas de turistas nacionais e estrangeiros? Existem estimativas?
CN -
De acordo com a BHTRANS e a Companhia de Transito, por final de semana , a feira trás para BH em torno de 40 a 50 ônibus de turistas de outros estados.


Já os turistas internacionais são encaminhados para o nosso centro de apoio, o Posto de informações Turísticas da Belotur, na Av. Afonso Pena com Rua da Bahia, onde temos pessoas para recepcionar e orientar esses turistas.


PD - A maior feira do Brasil também causa uma série de transtornos no trânsito de Belo Horizonte. Recentemente foi encaminhado à Secretaria de Administração Regional Centro- Sul um pedido de informações viárias da capital. Já foi definido o diagnóstico do tráfego de BH e posteriores mudanças realizadas em decorrência da feira?
CN -
Hoje nos temos por parte da Administração Municipal a ocupação da Av. Afonso Pena, da Rua da Bahia à Guajajaras. Esse é o único espaço da regional sul que comporta essa feira, pois temos uma boa infra-estrutura e uma área plana. O monitoramento do transito é tranqüilo.Não temos registros de atropelamento desde que a BHTRANS assumiu essas áreas. O transito flui normalmente, com a intenção do termino da feira onde existe maior deslocamento.


A ocupação da Av. Afonso Pena para o funcionamento da feira, segue o seguinte cronograma:

2h - Fechamento da Av. Afonso Pena pela BHTRANS, para o início da montagem das barracas;

4h às 6h30 - Permissão para acesso de veículos de feirantes credenciados, para descarregar mercadorias e transportá-las até as barracas;

7h - Prazo máximo para saída dos veículos do interior da feira;

8h - Início da comercialização;

14h - Encerramento da comercialização, liberação do acesso de veículos para recolhimento da mercadoria e início da desmontagem das barracas;

15h - Término da desmontagem das barracas e início do trabalho de limpeza do espaço;

17h - Liberação da Av. Afonso Pena para o trânsito normal de veículos.


PD - O que a administração está fazendo para aumentar a segurança durante a realização desse evento e minimizar o problema do lixo?
CN -
Assumi a administração em 2005. Desde então tenho uma preocupação em buscar parceiros para apoiar no policiamento dentro e fora da feira. Para minimizar os problemas de delitos no interior da feira temos uma parceria com a Polícia, com a BHTRANS e com os bombeiros.Já problemas relacionados à segurança dos feirantes e dos visitantes, não temos nenhum registro de incidente trágico além de um botijão de gás, por imperícia de quem estava operando.


Em 2005, acatamos as determinações do Ministério Público do Estado de MG e do Corpo de Bombeiros, que determinou a abertura do "corredor de emergência", para o tráfico de veículos em situações de emergência.Também existe uma inspeção técnica durante os domingos. Os feirantes recebem orientações de como montar e trabalhar com cuidado dentro das barracas, além de aprenderem como proceder em caso de qualquer imprevisto.


Com respeito ao lixo, iniciamos uma campanha em abril desse ano (2007), colocando 65 latões de lixo para conscientizar a população que com o lixo em seu devido lugar o espaço fica melhor. Antes dessa campanha tínhamos em torno de 6 toneladas de lixo, por final de semana, espalhadas como um lixão a céu aberto. Hoje existem galões que tem capacidade para 11 toneladas. Com a conscientização e educação dos usuários da feira o custo que temos com o lixo (10 mil reais por mês) poderá diminuir muito.

 

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