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Geraldo Tadeu Rezende Silveira - Maio 2007

  • Professor Geraldo Tadeu - Juliana Linhares

Minas Gerais tem na variedade de suas belezas naturais um grande atrativo turístico.Os turistas que procuram o Estado querem encontrar, além da história e cultura, o ecoturismo e o turismo rural. Porém essas riquezas mineiras estão sendo ameaçadas pelo Aquecimento Global. Para falar sobre a influência da mudança de temperatura no turismo de Minas, o Portal Descubraminas conversou com o professor Geraldo Tadeu Rezende.


Portal Descubraminas - Alguns estudos prevêem que com o aumento da temperatura variando entre 3° e 8° graus, a vegetação da Amazônia se assemelhe ao cerrado mineiro. O que pode acontecer com os parques mineiros caso esse aumento ocorra?
Geraldo Tadeu -
A menos que os gases de emissões do efeito estufa sejam reduzidos imediatamente, as mudanças climáticas devem causar impactos catastróficos para o meio ambiente.Os nossos parques estão definidos em cima de ecossistemas, portanto com secas mais severas, elevação do nível do mar, tempestades mais intensas e inundações, os parques do Estado de Minas Gerais, a mata atlântica, o serrado e a caatinga, podem sofrer mudanças na vegetação, extinção em massa de espécies da região, na conservação do solo e na disponibilidade da água.Em paralelo haverá uma confusão no tempo, nos períodos que normalmente haveria estiagem haverá chuva. O clima será profundamente alterado pelo Aquecimento Global.


PD - O que esta transformação da temperatura e vegetação pode acarretar no desenvolvimento do turismo no Estado?
GT -
Se observarmos o Estado de Minas Gerais, as fontes de turismo encontradas são: o turismo cultural, o religioso e o ecológico.O Estado tem uma natureza privilegiada, porém corre o risco de constante alteração no eco sistema, fazendo com que a natureza deixe de ser atrativo. Por exemplo: Como os turistas poderão comprar pacotes para se encantar com as cachoeiras de Minas se não existir previsão de um período de estiagem?Com tantas alterações pode acontecer de não ter mais os elementos naturais atrativos, chegando a acabar com esse tipo de turismo.


PD - Que riscos o êxodo de animais para o meio urbano, em conseqüência do desencadeamento da cadeia alimentar, pode acarretar em cidades que têm o ecoturismo como fonte de renda? E como isso afeta o turismo em grandes áreas urbanas, como Belo Horizonte ?
GT -
Essa confusão climática afeta o ambiente e determina uma condição que não mais permite a presença de animais. Não tendo condições de permanecer em seus lugares, esses animais migram em uma tentativa de se readaptar e adentram as áreas urbanas.Os principais problemas que podem aparecer são epidemiológicos. As espécies são adaptadas a meios silvestres e transmitem doenças para o meio urbano.


Três anos atrás existiu em BH um surto de febre amarela. Ao realizar um passeio em meio silvestre, alguns turistas foram infectados por febre amarela. Na época as autoridades responsáveis se virão em um risco de epidêmica de febre amarela silvestre. Na praça da liberdade, já conseguimos ver alguns pássaros silvestres que vieram para o nosso meio. Além disso tem a questão de segurança. Animais como lobo guará, mamíferos de grande porte e pássaros aparecem nas cidades e assustam moradores e turistas.


PD - O que a comunidade local, das cidades consideradas como destinos turísticos em potencial, podem fazer - de imediato - para diminuir o impacto do Aquecimento Global?
GT -
A comunidade pode contribuir evitando gerar os gases do efeito estufa. No dia a dia devem buscar fontes energéticas e principalmente se perceber como agente gerador de poluição, planejando ações para determinar a manutenção do ecossistema e colaborando com o turismo da cidade.


PD - Atualmente a UFMG, em parceria com a iniciativa privada, está trabalhando em um projeto de reciclagem dos resíduos sólidos de mineradoras na fabricação de tijolos para a construção civil. Como parcerias de iniciativas privadas e Ongs com o Governo do Estado podem contribuir para minimizar o impacto do Aquecimento Global no ecoturismo mineiro?
GT -
É importante que haja uma profunda interação entre o setor privado e o setor público pois quando existe um autor responsável que não está engajado a população fica prejudicada.As ongs nascem com o espírito de ser não governamental e tem hoje uma função essencial em trabalhar todos pelo bem de todos, por isso colaboram muito com o meio ambiente.


Essa responsabilidade não é apenas dos governos, todos devem fazer sua parte para ajudar a natureza. A interação é uma peça fundamental para o eco sistema. Sendo assim vamos ter uma possibilidade muito maior de conseguir um eco turismo de uma forma realmente sustentável e assegurar que o ecossistema tenha uma alteração que seja acolhida de forma menos agressiva.


PD - Como os mineiros podem utilizar seus recursos renováveis na construção de fontes alternativas de energia e assim contribuir para preservar as belezas naturais do seu município?
GT -
O uso de recursos renováveis, principalmente que não são geradores de gases do efeito estufa vão ajudar a não agravar o Aquecimento Global. Como exemplo cito o álcool e o biocombustivel. A população deve optar por essas fontes alternativas que são amigas da atmosfera evitando utilizar combustíveis que não fazem nada para recuperar os prejuízos.Todos os mineiros, que amam esse Estado de belezas únicas, devem ter um papel fundamental na conscientização, no cuidado com os lixos e com a água.


PD - Às margens do Rio São Francisco existe toda uma vida, representada pela comunidade ribeirinha e sua cultura; a própria vegetação e fauna em seu entorno; cidades que dependem tanto indiretamente como diretamente do rio como fonte de sobrevivência, dentre outros. Com este aquecimento, de que forma o rio e o turismo nas regiões banhadas por ele podem ser afetados?
GT -
A confusão que vai acontecer com o aumento da temperatura do planeta, vai refletir nos eventos climáticos, chuvas com intensidades diferentes vão acontecer com mais freqüência afetando diretamente as atividades de diversão junto às margens dos rios. Fora as condições de pesca, que são de sustentação da população.Antigamente podíamos navegar em parte do rio São Francisco, hoje não podemos. Com isso o Estado perde uma significativa capacidade de turismo.


PD - Enchentes e ventos fortes estão sendo uma constante no cenário brasileiro. Esta variação na temperatura pode eclodir fenômenos extremos em Minas Gerais capazes de aumentar o processo erosivo dos patrimônios culturais mineiros?
GT -
Por enquanto as pessoas estão observando sinais do que pode acontecer, como por exemplo, o ciclone em Santa Catarina, um evento que não existe na história do clima no Brasil. Podemos em um cenário de agravamento da mudança climática passar a ter eventos que são totalmente inexististe hoje no Estado de MG. Ventanias fora do normal, ciclones e chuvas de altíssima intensidade vão afetar a parte construída das cidades.


O que eu quero destacar é que em termo de clima nos ainda temos tempo para nos preparar. Se hoje fortalecermos a interação de diversos autores que estão envolvidos com o turismo vamos desenvolver um turismo sustentável, que valorize o turismo econômico, natural e cultural trazendo ganho de riquezas e conservando o que o Estado tem para oferecer.

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