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Fernanda Takai - Agosto 2006

  • Cantora Fernanda Takai - Divulgação/Pato Fu

A timidez de Fernanda é uma de suas marcas registradas. Com bagagem de quem tem décadas de estrada, ela, que nasceu no Amapá e se confessa uma "mineira de coração" não se acanha quando o assunto é sua carreira. Responsável pelos vocais de uma das bandas mais reconhecidas do cenário pop nacional, Fernanda Takai vai além da música e se arrisca em outras vertentes, com a mesma segurança com que se apresenta nos palcos e encanta seus fãs.


Descubraminas:. No início o Pato Fu era considerada uma banda alternativa. O estilo musical se modificou com o passar do tempo, mas você e o John sempre foram os responsáveis pelas composições. O que mudou de lá pra cá?
Fernanda Takai:
Não diria que o estilo se modificou. Houve uma evolução da banda e as pessoas se acostumaram a ouvir mais as nossas canções. Existe um fio da meada entre o primeiro e o disco mais recente, mas achamos importante não fazer discos iguais uns aos outros. Talvez o rótulo alternativo tenha mais a ver com estar ou não numa grande gravadora do que necessariamente com a música que se faz.


DM. Como você vê o atual cenário musical brasileiro?
F.T.
Como em todas as épocas, há coisas muito boas e outras que repetem fórmulas. A possibilidade de se divulgar um novo trabalho aumentou com os novos meios como a internet e a grande oferta de canais a cabo. Pena que o meio mais importante, que é o rádio, esteja se fechando cada vez mais em listas muito restritas de artistas.


DM. Qual caminho as novas bandas devem seguir?
F.T.
Aí está: uma nova banda não deve ficar pedindo opinião generalizada sobre o que deve fazer com seu trabalho. Muitos querem ter uma fórmula certa de agir e produzir a música e isso tira qualquer tipo de frescor da obra. Ficam pensando demais, formatando suas canções para chegar a um determinado modelo. Cada artista genuíno encontra seu caminho. Mais importante do que gravar um CD, que hoje é totalmente viável é cuidar de formar um público, ter um repertório que traga algo de novo.


DM. O Pato Fu utiliza a tecnologia em todo o seu processo de criação. Como essa versatilidade do mundo digital tem contribuído com o trabalho de vocês?
F.T.
Nosso grupo nasceu assim, do uso máximo de todas as possibilidades sonoras que a tecnologia nos oferece. Não é só apertar botões, mas extrapolar algumas sonoridades, buscar formas diferentes pra uma música. Aprendemos muito ao longo dos anos e o ápice disso foi o fato de nosso oitavo disco ter sido produzido, gravado e mixado por nós mesmos, sem nem um assistente de estúdio sequer. Antes, precisávamos ir para estúdios maiores, contratar engenheiros de áudio mais experientes, gastar bem mais para ter um bom disco. Sempre que fizemos isso, fomos acumulando conhecimento pra chegar a uma autonomia.


DM. Como a relação entre você e John influi nas composições?
F.T.
Geralmente não influi. A gente procura não ser autobiográfico nas canções. Aliás, fazemos poucas músicas em parceria. Se algo por acaso foi inspirado por nosso cotidiano, construímos a letra de forma que tenha uma leitura mais aberta e plural. A gente se sente mais confortável assim. Procuramos preservar a nossa história pessoal.


DM. Minas Gerais é um estado conhecido por suas tradições. Ao que se refere à música, os artistas mineiros, que se destacam, estão inseridos no cenário pop, como o próprio Pato Fu, Skank e Jota Quest. Em sua opinião, por que os artistas regionais, que traduzem a cultura do Estado, não têm espaço na mídia?
F.T.
Todos esses grupos citados tem uma história bem antiga também. Estivemos nos anos 80 tentando chamar atenção - não com a mesma formação e integrantes - e só quase 10 anos depois é que encontramos espaço dentro do estado e depois fora dele. Talvez os meios de comunicação estejam buscando linguagens cada vez mais universais e o regional acaba tendo que ser garimpado pra ser notado por aqueles que têm interesse nele.


DM. Há influência da música mineira nas canções que você compõe?
F.T.
Ouvimos música de todos os tempos e do mundo todo. Talvez o único ponto comum a todos os integrantes tenha sido os anos 80 - a música que era feita no pós-punk aqui no Brasil e fora dele. Não temos influência direta da música mineira. Acho que o melhor da música é ultrapassar barreiras geográficas, de linguagem, de cultura. É um elemento bastante subjetivo gostar ou não de uma determinada canção ou artista. Algo inexplicável, mas apaixonante.


DM. O público mineiro é conhecido por sua exigência em relação à qualidade dos espetáculos. É realmente diferente tocar em casa?
F.T.
Acredito que há público exigente em todo lugar. Depende até do local em que cada evento se realiza. Platéias que vão assistir a espetáculos em teatros exigem mais pontualidade, qualidade de som e luz, por exemplo. Tocar em casa traz caras mais conhecidas na platéia como amigos, fãs mais antigos e as nossas próprias famílias, claro!


DM. Nos dias 26 e 27 deste mês acontece o Mix Pop Rock Festival, no Mineirão. Vocês vão apresentar somente as canções do novo CD "Toda cura para todo mal"?
F.T.
De jeito nenhum! É o tipo de show que tem um tempo reduzido e gente querendo ver outros artistas até... Vamos fazer um show escolhendo as músicas mais importantes da carreira, incluindo algumas novas, com certeza!


DM. Conte sobre a sua experiência como cronista e a reciprocidade do público em relação a essa nova atividade.
F.T.
Eu ainda não me sinto confortável com esse título de "cronista". Eu sou uma leitora que tem aprendido a escrever pra muita gente ler. Faz um ano e meio que escrevo para o Estado de Minas e Correio Braziliense e a maioria dos leitores não deve ouvir Pato Fu. É uma outra forma de comunicação com o público. O retorno que tenho das pessoas é muito bom! Acho até que faltava uma mulher ocupar aquele espaço tão grande e importante.


DM. O que você gosta de fazer quando está em Minas? Quais são seus programas prediletos?
F.T.
Por causa das viagens com a banda, acabo querendo ficar mais em casa mesmo. Não sou de sair muito. Moro na Pampulha (região noroeste da capital) que tem se recuperado e se tornado uma região cada vez mais voltada à qualidade de vida em geral, como era o projeto inicial. Temos o Zôo, o Parque Ecológico, o Museu, os passeios de bicicleta. Vez por outra saio pra jantar com amigos, pois os restaurantes daqui são maravilhosos! Também tenho o costume de visitar Ouro Preto e Mariana quando recebo alguém de fora.

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