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A cruz e a gameleira - Lenda de Diamantina

Defronte à Igreja do Rosário, na parte baixa da cidade de Diamantina, bem perto do local onde hoje se ergue o belo edifício dos Correios e Telégrafos, frondeja enorme gameleira. Quem dela se aproxima vê, lá no alto, na copa escura, uma cruz de madeira toda enlaçada pelos seus ramos verdes. Nada mais curioso do que ver-se aquela cruz de paus toscos suspensa no alto da gameleira.

 

Sua estória me foi contada pela irmã Maria José, freira do Colégio de Nossa Senhora das Dores.

 
Um dos operários que trabalhavam na construção do cruzeiro, diante da Igreja do Rosário, sentido-se ferido de morte, pediu que chamassem um padre e suplicou-lhe que lhe absolvesse a alma, pois havia levado uma existência de perversidades.

 
O  religioso aconselhou a Júlio Fonseca – assim se chamava o operário – que pedisse perdão a Deus da má vida que levara e que se o seu arrependimento fosse sincero, estaria salvo. Já na agonia, Júlio Fonseca falou ao padre que, se sua alma se salvasse, alguma coisa inesperada aconteceria ao cruzeiro. O caso foi comentado e repetido pelas pessoas que ouviram as suas últimas palavras; por isso, não eram raros os curiosos que, encontrando-se no adro da Igreja do Rosário, ali se quedavam a espiar o madeiro tosco fincado diante da Igreja.

 
Decorrido pouco tempo após a morte de Júlio Fonseca, começou a brotar dos braços da cruz uma pequena planta. Provavelmente um passarinho depositara ali minúscula semente; esta nasceu, desenvolveu-se, a planta desceu até o chão e deitou raízes; o tronco cresceu, formaram-se galhos, que foram elevando o cruzeiro. Transformou-se com o passar do tempo naquela frondosa gameleira, onde se encontra, para admiração geral, a humilde cruz de madeira.

 
Diante disso, muitas pessoas de Diamantina acreditam firmemente que Júlio Fonseca alcançou a salvação eterna.

 

 

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