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O livro "Minha História"

Desde manhãzinha começaram arrumar o colégio para o lançamento do livro do Dr. Túlio dentista, no primeiro lance da escada a senhora Juliana Martins, encarregada dos arranjos e flores, deu um show; colocou um painel com flores silvestres. Em seguida um arranjo de flores na entrada do portão principal, uma mesa ao lado com as lembrançinhas do lançamento e mais ao fundo, inúmeros vasos com toda espécies de flores com seus adereços, tudo de primeiro mundo. Um lançamento esperado e ao mesmo tempo invejado por alguns.


Quando deu no jornal da cidade, o lançamento pouca gente levou a sério, o comentário ficou grande depois que o padre Veríssimo apareceu. Aí todo mundo pedia informação, opinião de um e de outro, ninguém mais botou dúvidas; o livro era pra valer.


Bom mesmo foi quando nossa soçayte ficou sabendo, aquela radio peão, o vaivém dos convidados. Meio decepcionada com o autor por não terem sido lembrados e nem convidados, pois bem; não sabiam que ali estavam presentes os verdadeiros amigos e parentes do autor.


O povo atento, observando os garçons e o coquetel organizado por sua senhora Andréa, andavam em roda, vinha e voltava, uns ficava olhando e estudando. Aquele arrocho no peito de dona Andréa foi sumindo, aquela aflição foi aliviando, os convidados só elogiavam o coquetel.


O pensamento das pessoas, a gente não sabe, mas parece que a coisa tem força, já ouviram falar do professor Walter? Professor no colégio, na academia e na prefeitura de Jaguariúna, estudante de advocacia, escrevia no jornal da cidade, ministro da igreja, não sei como arranja energia pra ser tanta coisa ao mesmo tempo, é um homem distinto, estava acompanhado de sua namorada, a décima daquele ano, pois já namorou metade da cidade de Jaguariúna, segundo as más línguas é liso que nem quiabo; e com um casal de amigos.


Esse casal de amigos estava o senhor Fabio um homem íntegro e muito robusto e tinha um semblante forte de pessoa enérgica e brava. Famoso na cidade, locutor da radio estrela, começou de baixo, muito querido, foi subindo, subindo. Chegando a ser diretor da rádio, mas política é assim. Mas vamos direto ao causo.


O garçom por sua vez, que servia as bebidas e os quitutes, era um rapaz franzino, olhos entre abertos e muito pequeno.


Professor Walter foi chegando perto deste garçom, puxando um pouco de conversa antes de sair os quitutes e as bebidas; e disse:
- preciso confessar uma coisa?
- sabe aquele senhor que está me acompanhando sofre de depressão
- quando ele não toma seus remédios, fica muito violento e tem ataque de loucura.
- é melhor você não servi-lo, pois pode sobrar para você.
- e pelo que eu vi, aqui não tem ninguém pra tomar conta dele, você sabe?


O garçom dum jeitão esparramado e uma gesticulação medonha, deu no pé, meio nervoso começou a corta vorta do homem.


Fabio, no entanto não sabia e nem entendia porque o garçom não o servia; começou andar em roda, vinha e voltava, bufava, a conversa com o professor era entremeada com hums e ahns, coçava cabeça, arrumava o óculos, limpando a lente, cada vez mais ele bufava, quando parecia que ia sossega, olhava pra cima; dava mais um prazinho pro garçom e até que ficou bravo e agarrou o garçom pelos colarinhos e pegou a bandeja da mão dele e perguntou:
- Presta atenção, quê que ta acontecendo?
- Fala agora, qual é graça.
- Você vai me servir agora, ou você vai levar um cacete que nunca mais vai esquecer de mim.

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